Projeto “Provador de Roupa”? Como assim?

Paciência, gafanhotos.

Já já o nome do projeto será explicado. Deixe-me primeiro introduzi-lo com polidez.

“Era uma vez uma menina que teve um contratempo, agora, ela precisa recuperar o algo que foi perdido. O problema é que ela vai precisar encarar uma rotina completamente diferente e sair da zona de comodidade. Conhecendo novos amigos e se reconciliando com antigos, a menina vai experimentar emoções nunca antes sentidas. Porém, o caminho a ser percorrido não será fácil, ela ainda está presa ao modus operandi velho. Sofrerá com a perda de um ente querido, magoará outras pessoas e vai perceber que nunca tinha olhado para dentro e se perguntado sobre o que queria de verdade. No fim, ela alcança a redenção. A felicidade sempre esteve a sua frente, mas ela nunca se preocupou em enxerga-la.”

O plot parece familiar para vocês? Pois é, não é coincidência. Praticamente todos os livros de chick-lit são assim. Essa é a “jornada do herói” (pretendo falar dela em outro post) das protagonistas desse gênero e, como já disse, raramente muda.

E isso não é falta de criatividade, render-se aos conteúdos de massa ou preguiça. É uma fórmula que dá certo. Ninguém tem medo de usa-la porque, apesar de o plot ser igual, a forma de como autor conta a história é que faz a diferença. É aí que a criatividade corre solta.

Como eu o utilizei: Pensei nesse projeto quando estava saindo do ensino médio. Aliás, lembrando agora, ele derivou de uma outra ideia anterior, um romance açucarado entre dois vizinhos de janela (baseado numa amiga). Não consegui desenvolver, mas meio que criei a personagem principal e decidi que queria usa-la em outra oportunidade. Nascia, assim, o Projeto “Provador de Roupa”.

“Lara tem um ataque de estresse um dia antes da última etapa da prova PAS* e fica desacordada por uma semana. Ela já vinha acumulando esse estresse há algum tempo por canta das horas de estudo (ela quer ser advogada), o pai desempregado e a avó maluca que foge sempre do asilo. O que fez com que ela tivesse o pirepaque, no entanto, foi uma revelação do melhor amigo, pelo qual sempre fora apaixonada. Lara, então, resolve entrar em um cursinho e, devido aos custos, começa a trabalhar em uma loja de roupas para paga-lo. Ainda lidando com muito estresse, ela acaba encontrando alívio ao desabafar sempre no provador de roupas de onde trabalha.”

Nisso, Lara faria novos amigos, se reconciliaria com o antigo e conheceria um rapaz especial. O nome do livro seria “Confissões de um provador de roupa”.

Até hoje continuo achando que esse plot daria uma boa história. Só que o tempo passou e me toquei que ainda não via o, até então, “Elemento X” (as tais confissões dentro do provador) fazendo tanta diferença para render uma boa saga. Tudo estava, sei lá, muito normal.

Então veio iluminação e percebi três coisas:

1 – A personalidade de Lara era normal demais (o que deixava tudo normalzão);

2 – Precisava decidir para qual público iria escrever;

3 – O título estava me limitando.

Falarei da mudança de Lara quando começar a descrever as personagens desse projeto. Quero falar sobre as outras duas ponderações porque foram elas que desencadearam a versão que estou escrevendo atualmente.

Eu sigo uma filosofia de que só posso escrever e falar daquilo que, de certa forma, entendo intelectualmente ou emocionalmente (melhor ainda se forem os dois). Então tá. Como eu poderia escrever sobre trabalhar em uma loja de roupas se eu nunca o fiz? Tá. Eu poderia procurar amigos e informações na internet. Mas senti que não seria o suficiente. Até porque, logo depois, veio o insight do público para qual escreveria.

Vi que a trama que desenvolvia era muito adolescente, até por conta da temática das expectativas de passar numa universidade pública. E isso não estava casando direito com o fato de Lara trabalhar. Percebi que o “provador de roupas” que estava no título estava me limitando. Uma maldição dos professores de Jornalismo que sempre insistem que deve ser último a ser escrito, justamente para evitar contradições como essa. E, bom, percebi que a regra não valia só para matérias.

Foi assim que nasceu o plot que tenho trabalhado. Lá vamos nós outra vez:

“No meio da segunda etapa do PAS, Mariana surtou. Estava tão estressada com os estudos (e ela só fazia isso), o problema de saúde indecifrável da avó e o rompimento da amizade com seu melhor amigo, que nem percebeu que já tinha chegado no limite. Depois de ficar conhecida graças aos vídeos de seu momento de insanidade, ela pensou que poderia ficar em paz e estudar em dobro para a prova do terceiro ano, numa nova escola.”

Sim, o nome da personagem principal mudou.

E, assim, criei um novo contexto para a tal “jornada do herói” que discuti no início do post.

Há muitos detalhes interessantes e engraçados (na minha opinião, pelo menos) que omiti. Prefiro deixar para quando partes dos capítulos começarem a ser postados aqui.

Dito tudo isso, resolvi mudar o nome do projeto. Alguma sugestão? O arquivo do Word se chama “Sem Nome”. É sério! Queria algo mais forte. Que tal “Sem Título”, remetendo à regra do título somente no final?

Espero a opinião de vocês. =)

* Segundo o site da Universidade de Brasília, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) é uma modalidade alternativa de acesso ao ensino superior que surgiu para amenizar o impacto da passagem do vestibular. São aplicadas três provas, realizadas ao término de cada uma das séries do ensino médio. O conteúdo, que antes era cobrado de uma só vez no vestibular, é diluído nos três anos de avaliação. São destinadas metade das vagas do primeiro processo seletivo de cada ano para os alunos do PAS. Quem participa do PAS não está impedido de concorrer também pelo vestibular tradicional.

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