A lição dos K-Dramas

Lembram-se quando comentei aqui sobre a jornada do herói da chick-lit e de como os plots são praticamente iguais? Que, na verdade, o que vai mudar sempre é a forma de como a história será contada e os personagens que irão protagoniza-las? Pois bem, é disso que vou falar um pouco. Mais especificamente do caso dos K-dramas. Já ouviram falar?

Pois bem, o que são os tais “dramas”? A analogia é a seguinte: nós, brasileiros, produzimos novelas; os estadunidenses, seriados; os asiáticos, dramas. A comparação é boa porque o valor cultural dentro dos países (Ásia não é um país, eu sei. Mas vocês entenderam…) citados é igual: todos amam ou já assistiram, pelo menos, algum na vida. As diferenças surgem na construção da trama. Enquanto novelas consistem em uma história principal, várias paralelas e um número infinito de personagens que vão se encontrar alguma vez na vida, dramas e seriados são mais minimalistas. Nos seriados há o elenco fixo que não passa de dez atores e um tema essencial que leva a série; podendo variar entre a vida de amigos à sobrevivência em um apocalipse zumbi.

Aí entram os dramas asiáticos. Neles, há uma ou duas personagens centrais e alguns secundários. A história é toda sobre esses centrais, geralmente um casal. Por conta disso, o número de episódios não se estende da mesma forma que as novelas e seriados. Dependendo do país, no máximo, chegará aos doze. No Japão é assim, pelo menos.

Mas eu quero discutir os dramas coreanos. Quem segue o blog, pode ter notado que tenho uma predileção pela Coreia do Sul. Só que, dessa vez, juro que escolhi falar sobre ela por uma boa razão. Os K-dramas (K de Korea) são um dos casos mais esdrúxulos desse universo. Não necessariamente por serem os melhores ou com os melhores atores. Não. O negócio é que T-O-D-A-S as histórias são praticamente iguais!!!

Sem  brincadeiras. É uma coisa muito, mas muita louca. E vou demonstrar. Apresento-lhes todas as opções de plot de um drama de comédia romântica:

u-r
“You’re Beautiful” além de ser um ótimo exemplar da categoria 2 (a menina é a do meio, ok?), também tem os elementos da 1. Resultado? Sucesso por toda a Ásia.

1 – O rapaz arrogante, popular e rico se apaixonando pela menina pobre;

2 – A menina que se passa por homem e faz todos os homens a sua volta se apaixonarem por ela;

3 – Romance entre pessoas que estão em épocas diferente (é, tipo viagem do tempo mesmo) ou entre um ser fantástico e um humano.

Pronto. É isso. Acabou. Boa Sorte.

As fórmulas ainda podem ser encontradas nos melodramas e históricos. Não sei como são os dramas de ação.

Pois é, existe drama de ação também.

Bom, como já disse, acho isso muito louco. São parecidos com as novelas da Glória Perez, que mudam sempre os países onde de passam e que, no fundo, são simplesmente iguais. Só que em números multiplicados, pois centenas de dramas são produzidos por ano. Se um sai desse script, não se sabe qual será o destino dele (até hoje só assisti a “Reply 1997” que saiu desses moldes. Muito bom, por sinal).

Eu fico me perguntando o porquê de, apesar de serem todos iguais, os  k-dramas ainda são tão legais. Juro, eu gosto bastante (só não tenho paciência de assistir tantos). Ao contrário dos vários livros de chick-lit e aventura, que também têm tramas parecidas, os dramas parecem querer deixar claro que, sim, são todos iguais mesmo. Cadê a criatividade? As cenas diferenciadas? Por que diabos a protagonista fica dura que nem pedra quando o interesse amoroso a beija? São tantas perguntas…

O que me leva a outra reflexão: será que essas repetições, na verdade, não são normais? Sei lá, é como a garota romântica que só lê livro do Nicholas Spark. Tudo é romance, tudo acaba bem. Daí, se ela procurara outra leitura, acaba escolhendo algo parecido. Não seremos sempre assim nas nossas escolhas? Nos relacionamentos, no gosto musical, na vida? E, afinal, se estamos verdadeiramente felizes com isso, qual é o problema de continuarmos buscando o que gostamos?

A conclusão que cheguei é que não há problema nenhum. O charme dos dramas coreanos é exatamente esse, eles são iguais. Se curto o estilo, nada mais natural do que busca-lo. Só acho que não posso ficar APENAS com eles porque acaba se tornando um vício e um limitador. E isso vale para qualquer área da vida.

Era essa lição que queria compartilhar com vocês.

E, se ficaram curiosos quanto aos k-dramas, posso passar alguns títulos. Basta pedir!

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3 comentários sobre “A lição dos K-Dramas

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