Professores da Vida

Sentimentos são difíceis. Lidar com eles, mais difícil ainda. Não existe forma certa de senti-los. Basta, sentir. Certo?

Só que não. Alguma vez vocês já tiveram alguma aula sobre “como sentir”? Onde seria ensinado que somos humanos? Que sentir raiva, inveja e tristeza é normal? Se sua resposta é sim, considere-se um felizardo. O mais próximo que cheguei disso foi com as aulas de religião e filosofia. Ainda assim, era tudo muito intelectualóide.

Em algum momento da nossa história ficou estabelecido que o cérebro deveria controlar nossas ações. Chegou a vaidade e insistiu que, para sermos alguém na vida, é preciso ter sucesso no trabalho, dinheiro e uma boa família. Somente assim, a felicidade seria alcançada. Foi aí que todo mudo começou a estudar e trabalhar feito louco para chegar lá.

Só que, chegando no topo, muitos caem. Sentem-se vazios, bem longe daquele ideal de felicidade prometido pela “vida”. Por que isso acontece?

Bom, aí vai uma resposta com outra pergunta: Como ser feliz se não se sabe o que é felicidade?

Entenderam agora o porquê de começar esse texto falando sobre sentimentos e aulas? Muitas vezes passamos a vida toda atrás de algo que desconhecemos, algo que foi estipulado para nós. Mas é isso que todo mundo quer, você pode rebater. E será que a gente já parou para pensar o que queremos de verdade? Como seremos “alguém na vida” se nem sabemos como é esse alguém? E se o seu “alguém” for diferente do da pessoa do lado? Ela será menos alguém que você e vice-versa?

Olha. Eu acho que não.

Também sou um ser humano cheio de defeitos e tudo mais. Porém, já falei aqui que o que me faz feliz é estar fazendo o que faço agora: escrevendo, compartilhando as palavras do meu coração. Tenho uma amiga super inteligente que se sente realizada sendo mãe. Lembro-me de ouvir muitos julgamentos quanto a isso; que ela era nova e deveria investir na carreira. Hoje vejo o quanto ela foi sábia e soube logo qual era a “felicidade” que a faria “alguém nessa vida”.

Sonho com um dia em que daremos mais valor ao coração, aos sentimentos (falo isso para mim também). Que nas escolas haverá uma matéria sobre algo do tipo. Além de buscarmos uma felicidade genérica, já repararam que quem sente tristeza é condenado? Todos devemos sorrir, mas sem saber por que estamos sorrindo?

O quão paradoxal a vida pode ser?

Felizmente, ela continua nesse fluxo maluco. Se não aprendemos nas salas de aula, algum professor se encarrega de nos ensinar. Ensina que os sentimentos ruins existem, assim como os bons. Daí começamos a sentir e nos permitimos sentir.

Esse post é para esses professores que acreditam nos sentimentos. Muitos não têm formação acadêmica apropriada ou estão dentro dos locais de ensino. Estão aí pela vida, esperando por um pedido de ajuda. Conto de fadas? Não, eles existem de verdade. Olhe para os lados. Olhe para dentro.

De repente, esse professor é você.

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6 comentários sobre “Professores da Vida

  1. Lindo texto…
    Suas palavras perto do final me lembraram da expressão: “ditadura da felicidade”, e como muitos (quero fazer cada vez menos parte desse grupo) são rápidos a julgar e criticar pessoas que sentem tristeza. Vivemos nessa ditadura, onde devemos ser felizes seguindo o padrão, se desviar você só pode ser louco….

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