Sarau: Fred e O Olhar da Vítima

Fred, meu amigo, acaba de escrever um livro. Neste sábado (09/11) haverá o lançamento oficial na Livraria Cultura do Shopping Riomar, em Recife (saiu até notícia no Diário de Pernambuco). A história? Acho que vou deixar vocês chegarem as próprias conclusões, baseadas no subtítulo da obra que escreverei na legenda da foto abaixo.

1385937_10151748511344779_1192242845_n
A história real de um ataque de tubarão

Em 2011, tive a oportunidade de entrevistá-lo para o Na Prática (mesmo jornal que dá nome uma das categorias do blog). Confiram a entrevista! E depois comprem o livro, que já está a venda no site da editora Matrix e da Livraria Saraiva. =D

Ex-surfista atacado por tubarão pretende publicar livro
Mesmo sem parte de uma perna, Carlos Frederico quer desmitificar a má fama do animal e contar a própria história

Por Marina Oliveira

Em 1994, Carlos Frederico Gomes Martins estampou capas de jornais de todo o país. Ele foi a primeira pessoa a ser atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem, em Recife, e que perdeu um membro do corpo, no caso, parte da perna esquerda. Na época, ele era um surfista de 15 e encarou toda a “fama” e a adaptação de usar uma prótese sem se queixar. Hoje, 17 anos depois, trocou Recife por Brasília, é casado e prepara-se para um novo desafio: publicar um livro contando a própria história da maneira que sempre quis.

Quando você foi atacado, você ainda era adolescente. Como encarou isso na época?

Para ser sincero, nunca fui afetado pelo que ocorreu comigo. Não me lembro de nenhum momento em que entrei em depressão ou coisa do tipo. Inclusive, cheguei a dispensar a minha psicóloga na época porque ela não tinha o que fazer. Claro que não fiquei feliz pelo que aconteceu. As limitações por conta do acidente foram muitas, mas nunca me queixei. Até porque perder meu pé esquerdo nesse ataque me trouxe outras oportunidades, como a de trabalhar em Brasília como portador de necessidade especial. Claro que se alguém perguntasse se eu preferiria ficar de prótese ou ter minha perna de volta, eu não hesitaria em escolher a segunda opção. Porém, como não é possível, não posso ficar lamentando. Acho que ajudou o fator de tudo ter acontecido quando eu era bem novo. Se fosse agora, com 32 anos, provavelmente seria mais difícil de encarar.

Você percebe alguma mudança na população na forma de enxergar o ocorrido, comparando aquele tempo com hoje?

Hoje, depois de mais de 50 ataques, as pessoas estão mais cuidadosas. Posso afirmar que o descaso do poder público na época fez com que o quadro ficasse ainda mais agravado. Para não afetar a atividade turística local, o governo tomou ações ineficazes Colocou-se placas que não informavam sobre os riscos da área e ainda botavam a culpa nos surfistas. Só que, depois de certo tempo, o número de banhistas atacados superou o de surfistas. Então, o governo não tinha mais o que fazer. Agora, na praia de Boa Viagem, as pessoas optam por não entrar na água. Mas já li pesquisas constatando que o que mais afugenta os turistas de Recife não são os ataques e, sim a violência e a praia suja.

E o que você acha que deveria ser feito para mudar essa mentalidade?

Eu sempre fui da opinião que o governo poderia tirar algum proveito dos tubarões, tratando-os como algo natural. Deveriam construir um oceanário para apresentar as espécies, os benefícios delas para o meio ambiente, a contribuição para a humanidade e colaborar com a desconstrução desse mito de máquina assassina.

Então você não sente raiva de tubarões?

Não, não sinto. Muito pelo contrário. Sou grande admirador. Até fiz uma tatuagem nas costas de um tubarão e o ano do ataque. O engraçado é que as pessoas chegam para conversar comigo e começam a falar mal do bicho, esperando me agradar. Mas aí eu acabo as frustrando ao dizer que tenho uma opinião diferente. Nós, como seres racionais, não podemos culpar os tubarões por conta dos ataques ocorridos em Recife. Eles apenas estavam seguindo seus instintos. Se fosse assim, deveríamos ter raiva da raça humana. Essa sim é a grande predadora, inclusive da própria raça. Sei que muitas das vítimas de tubarão têm ódio do bicho, mas acho essa atitude sem cabimento. Estávamos no espaço deles, então, por que reclamar?

Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre a sua história?

É algo de anos atrás. Assim como respondo a essa entrevista, respondi tantas outras. Desde estudantes de jornalismo até à CNN (canal internacional de notícias). Repeti tanto essa história que acabei tendo a ideia de escrever sobre a minha história.

Poderia contar um pouco sobre como será o livro?

Meu projeto consiste em mostrar um lado que nunca foi abordado nas entrevistas: a minha opinião sobre os bichos, como vivo hoje, como encaro a minha situação e dificuldades como portador de necessidade especiais. Isso nunca era perguntado pelos entrevistadores. As perguntas eram só sobre como foi o ataque, se doeu, se eu tinha visto o tubarão, etc. Isso me cansou tanto que decidi parar de dar entrevista, pois sabia que o que eles queriam era sensacionalismo.

Tem alguma expectativa sobre a reação das pessoas ao lê-lo?

Às vezes temos a impressão de que nossas criações não vão dar certo e aí elas nos surpreendem. Às vezes criamos tanta expectativa que nos decepcionamos depois que tudo fica pronto. Primeiramente eu quero publicar. Essa é a parte mais difícil. O que as pessoas acharão sobre o livro eu nem pensei. Meu desafio é ter esse livro publicado por uma boa editora. Caso isso aconteça, já será uma vitória.

Algum recado final?

Meu recado final é para que as pessoas procurem entender melhor as coisas antes de julgar. Isso é o que acontece com os tubarões. Elas tiram conclusões precipitadas por não terem o conhecimento sobre o assunto. Não precisa ser um expert, basta procurar informações básicas. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s