Review: O Olhar da Vítima

ArquivoExibir.aspx“O Olhar da Vítima” já apareceu bastante por aqui, não é? Nada mais justo agora comentar o que encontrei nas páginas desse livro que, além de contar a história de superação do autor, faz uma crítica ao modo que enxergamos os tubarões. Já contei o que acontece em outros posts. Resumidamente: Fred era surfista e foi atacado por um tubarão aos 15 anos de idade, na praia de Boa Viagem, em Recife. Em vez de sentir raiva do tão temido “rei dos sete mares”, ele escolheu seguir em frente e tentar entender o animal mais a fundo.

Ao longo do livro, é possível perceber que Fred ainda não é nenhum especialista do Discovery Channel, mas, com certeza,  sabe muuuuito mais de tubarões do que qualquer um de nós. Até porque, ele foi atrás de informações e ainda contou com apoio de instituições, pesquisadores e até do Lawrence Wahba (se você um dia já assistiu à “Semana do Tubarão”, saberá bem quem ele é). Isso, para mim, é um dos pontos mais legais de OODV: informação. O olhar de turismólogo apoia bastante também.

Falando dessa claridade, é preciso destacar o estilo de escrito do livro. O tom é informal, mas nada que descredite nenhum dos dados apresentados. O que acontecia às vezes, no entanto, era que, principalmente nas partes em que Fred contava os acontecimentos do ataque, é que eu sentia que esperava um pouco mais de detalhes. Mas o que posso fazer? O próprio autor não se lembra tão bem dos fatos porque estava muito mais preocupado em viver do que tentar guardar na memória o que estava vivenciando naquele momento.

Engraçado é que uma das críticas dele é que os jornalistas perguntam sempre as mesmas coisas. Minha formação é de jornalista, né? Deixa quieto.

Como ponto negativo, também posso citar essa mesma informalidade. Às vezes o que lia parecia uma conversa. E, quando estamos conversando frente a frente, é normal pararmos, voltarmos a outro assunto e depois continuar outro sem problema. Seguindo essa linha, houve partes em que eu ficava perdida no meio do texto. A diagramação das páginas também não ajuda. Tudo muito juntinho e sem parágrafos bem definidos. Pelo menos a fonte está de bom tamanho, o que ajudava bastante me situar no relato.

Porém, no fim, li tudo em quatro dias. Foi fácil, instrutivo e agradável. Sinceramente, sempre achei os tubarões fascinantes e assustadores. Agora, os enxergo mais como, apenas, seres vivos. Assim como nós, fazem parte do ciclo da vida que precisa estar em equilíbrio. O que aconteceu e ainda acontece em Recife, é consequência de animais muito mais assustadores: os humanos. Não soubemos respeitar o habitat deles, então eles acabaram invadindo o nosso. Nada mais natural.

Obrigada pelo livro, Fred!

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