Sugestão: releia mais livros

“Recordar é viver”. Quem nunca ouviu isso alguma vez na vida? Eu já escutei várias, apesar de não lembrar ao certo em quais situações. Provavelmente foi em filmes e em poemas. Ou talvez alguma frase motivacional de facebook, sei lá. Na verdade, isso não importa.

Comecei o post com as aspas porque meio que tenho praticado essas “recordações e vivências” bastante desde o início do ano. Porém, não é abraçando o saudosismo, amando o eu-lírico ou coisa do tipo. Não. É bem mais simples: tenho relido histórias que gosto.

Reler? Isso não é perda de tempo?

Não, não é.

Peguemos o exemplo de “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exuréry. Quem nunca leu o livro mais de uma vez não sabe o que está perdendo. Aquela lenda de que ele é um mapa de tesouros e que, cada vez que abri-lo, você vai encontrar um ensinamento novo é REAL. Digo por experiência própria. De dois em dois anos pego meu exemplar na estante e abro. Choro sempre no final, mas é sempre uma nova experiência. Sabem por que? Porque a Marina que leu o mesmo livro há dois anos atrás não existe mais.

Em dois anos pode acontecer muita coisa. Ou não. Mas se houve ao menos uma mudança na sua vida, desculpe, mas você também mudou. É um novo amigo, um novo emprego ou novo quadro na parede branca do seu quarto, tudo a sua volta te influencia, assim como você influencia tudo a sua volta. É por isso que até quando a gente não quer, a gente já mudou de um segundo para o outro.

Foi levando em consideração a magia do “principito” e esse raciocínio “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia” que comecei a reler alguns dos meus livros, séries e mangás favoritos. E, sério, é impressionante. Eu já sei a história, mas a diversão e os sentimentos que afloram são diferentes. Aparecem detalhes que não tinha notado antes e personagens que eu não gostava tanto viram as minhas favoritas. Como pode?

A única conclusão é que a história continua a mesma. Eu é que não sou a mesma.

Conseguem ver? Não? Que tal pegar um dos seus livros favoritos e o experimentar novamente?

Só devo alertá-los, porém, que releituras são viciantes. Principalmente se, além de ver questões diferentes da história, você consegue ver questões diferentes dentro de si. A minha outra sugestão é: intercalar uma obra antiga com uma nova. Daí, se gostou da nova, guarde-a no armário para o futuro. E, se não gostou mais tanto da antiga, hora de fazer uma doação.

“Mas e se eu reler lá para frente e voltar a gostar?” Olha, isso pode até acontecer. Mas para que guardar algo que você nem gosta mais? Ocupa espaço e toma sua energia.

Até porque, pode parecer paradoxal, mas “reler” também é um exercício de desapego.

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