Sarau: Eleanor Catton

Vou confessar algo para vocês: para alguém como eu que almeja ser uma grande escritora, eu ainda sou bastante devagar com eventos de literatura e feiras do livro. Chega a ser ridículo. Quando eu descubro que está rolando algo interessante aqui em Brasília ou no Brasil, já acabou. Este ano aconteceu a mesma coisa: a FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, teve sua 12ª edição e eu só soube disso quando apareceu na minha timeline do facebook uma reportagem sobre uma tal de Eleanor Catton.

Capa de "Os Luminares"
Capa de “Os Luminares”

Sinopse do SKOOB

O jovem inglês Walter Moody, recém-chegado no isolado vilarejo de Hokitika, na remota Nova Zelândia do século 19, procura descanso após sua tumultuada viagem de barco. Mas, sem perceber, ele acaba interrompendo uma reunião secreta de 12 moradores de Hokitika, que estão tentando resolver um mistério. E é durante a corrida do ouro que personagens excêntricos recontam suas histórias para desvendar a morte de um eremita e o desaparecimento do homem mais rico da cidade. Entre os garimpeiros, um chinês traficante de ópio, um político preocupado com o eleitorado, um magnata cafetão, uma prostituta em luto, um reverendo novato e um guia maori são alguns dos envolvidos nesse mistério. E Walter Moody parece ser uma peça desse quebra-cabeça, após passar por uma experiência beirando o paranormal a caminho de Hokitika, onde pretendia fazer fortuna no garimpo. Catton conduz o leitor por histórias que vão do místico ao exótico. Pepitas de ouro costuradas em vestidos, um tiro de suicídio que não dispara, fantasmas em caixões, uma charlatã que convoca espíritos e usa chineses como estátuas de decoração. Tudo isso na lamacenta cidade de Hokitika, onde chove intermitentemente e que prospera apenas enquanto os rios fornecerem ouro. Eleanor Catton buscou no movimento dos astros as influências para seus personagens, dividindo o livro em partes que seguem as posições astrológicas dos signos de cada um dos envolvidos. Mas, se a Lua em Leão não explica desaparecimentos nem mortes suspeitas, a destreza de Catton costura as histórias mais surpreendentes, criando viradas repentinas na narrativa, conexões inesperadas, experiências com o misticismo e fecha firmemente as várias camadas da trama com clareza.

Eu ainda não li “Os Luminares”. Talvez eu nem leia devido às 800 páginas (eu só leria essa bíblia to tablet e olhe lá), mas já sou fã de carteirinha da autora neozelandesa. A descrição do livro é incrível, mas o processo de criação da história é mais incrível ainda. Nas palavras dela:

“Dediquei cinco anos a Os luminares, mas só escrevi nos três últimos”, disse. “Usei os dois primeiros apenas para pesquisar sobre a história da Nova Zelândia, estudar astrologia e ler o maior número de romances vitorianos que consegui. Depois que comecei a escrever, o livro fluiu rápido.

E a colega de 28 anos ainda é ousada, viu? Além do número de páginas, os capítulos seguem uma estrutura super diferente. O primeiro tem 360 páginas. O segundo, a metade do primeiro e assim segue até o 12º capítulo, que tem apenas duas páginas! Genial! Até porque são doze signos zodiacais. Tudo minimamente planejado.

Não é a toa que em 2013 o Man Booker Prize consagrou a obra, não é?

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