Nada de complexo de Elsa

Desde pequena eu tenho uma ideia fixa: me mudar do Brasil. Qual seria o destino? Não sei. Eu simplesmente sabia que precisava conhecer o mundo e viver lá fora. E, este ano, eu tinha estipulado para mim que só ficaria em Brasília por mais dois anos – o tempo de re-ajeitar os dentes, fazer a cirurgia ortognática e me recuperar. Depois disso, eu iria me mandar. Seria perfeito.

Só que aconteceu uma coisa engraçada. No último domingo, comentei esses meus planos de me mudar daqui. Pela primeira vez, eu tive consciência de que as palavras não saiam do meu coração. Como assim? Ora, ficou claro que tudo estava mais para um plano de fuga; eu buscava um ideal de liberdade. Observando agora, pergunto: o que seria a liberdade? Morar sozinha, andar com gringos e sobreviver? Viver num país desenvolvido? Isso é ser livre? Por que eu não posso me sentir livre neste exato momento?

“Por que eu não posso me sentir livre neste exato momento?”

Eu não vivo numa jaula. Tenho uma condição de vida que me permite viajar para o exterior uma vez ao ano e ainda visitar meus parentes no Rio e no Recife. Para me locomover, conto com o meu carro. Caramba, eu consigo me locomover com as minhas próprias pernas. A minha saúde… a minha saúde às vezes falha. Essa sim poderia ser considerada um carcereiro. Não posso tomar o tanto de café que gostaria porque tenho um problema no labirinto (que não é labirintite). Não posso comer muito doce; me dão enxaqueca. Quando era pequena, não pude correr do jeito que eu queria; a bronquite não deixava. Se eu digito muito, a LER ataca. Uso óculos. E, se eu não dormir direito, tudo que acabei de descrever pode vir a complicar. Complicado.

A minha saúde, porém, acabou me mostrando a verdadeira liberdade. Não vem dessa ideia de fazer tudo que quiser, na hora que quiser e do jeito que quiser. Não. Liberdade é estar vigilante. É saber os próprios limites para que eles não atrapalhem as metas. Acima de tudo, é cuidar de si. Quando eu cuido de mim e estou atenta tanto ao meu mundo interno quanto externo. Consigo me fixar no presente. Deixar o passado para trás e não se preocupar tanto com o futuro também é liberdade.

Daí eu tentei ver o futuro no domingo que passou. “Eu quero ser uma escritora famosa”, pensei. Apesar de ser professora de inglês e ter diplomas internacionais, a minha língua é o português. Eu escrevo em português, caramba. E, antes de ser reconhecida por boa parte da Terra (eu sou dessas, sonho alto), preciso me firmar aqui no Brasil. Para que tanta pressa de morar no exterior? O que vou fazer? Qual é o meu objetivo? Nenhum? Nossa, nenhum.

Chegar a essa conclusão fez com que eu me sentisse mais livre. Por que? Porque olhar para dentro, entender o que se passa e estar bem com isso também é uma forma de liberdade.

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