Garotos

O que você está prestes a ler era um(a) fanfic. A versão original de 2005 pode ser conferida aqui (assim como os meus erros ortográficos). Sempre gostei de uma modalidade que nomeei de “Conto Musicado”. A partir de uma música, criava uma história. Simples, rápido e singelo. Qual é a canção que te inspirou desta vez? Garotos do cantor Leoni. Verdade seja dita: que menina não se sente especial com essa letra?

Sobre a grama verde do campus, lá estava ele debruçado e observando as nuvens como de costume. Alguns fios do cabelo castanho claro repousavam em seu rosto e os óculos de grau jaziam ao lado. Gostava daquele lugar. O lugar perfeito para apenas pensar, onde nada poderia interrompe-lo. Fechou os olhos curtindo aquela tranquilidade que tanto idolatrava e logo os abriu para admirar novamente com o azul do céu. Só que ele se deparou com outro azul.

“Ei, Léo!” A loira pertencente dos mais belos olhos azuis o chamou.

“Júlia…”

Seus olhos e seus olhares

Milhares de tentações

Léo se sentou para que ficassem lado a lado.

“O que faz aqui?” ele quis saber.

“Por que a pergunta? Não queria me ver?”

“Não! Não é isso…” o jovem não sabia o que responder, só tinha perguntado por perguntar. “Ah, mas que problema!” Ele terminou desconsertado.

Júlia abafou a risada com as mãos, deixando Léo mais confuso.

“Bobo… só estava brincando!”

Meninas são tão mulheres

Seus truques e confusões

Léo, mesmo sem entender direito, resolveu deixar aquilo de lado.

“E então, o que estava fazendo?” a loira perguntou.

“O de sempre…”

“Ah claro, as nuvens…” ela concluiu.

O silêncio caiu entre os dois. Léo pode ver que Júlia agora estava concentrada no céu.

Júlia…

Estava linda como sempre. O cabelo preso balançava no mesmo ritmo da brisa de outono que passava levemente deixando nela um ar angelical. As belas formas se destacavam na posição estava sentada, tudo era perfeitamente delineado. Aí ela já não era tão anjo assim. Ela o encantava, não tinha como negar. Era sempre assim quando ele a via; ficava perdido e meio seus desejos pela companheira de universidade.

Se espalham pelos pêlos

Boca e cabelo

Peitos e poses e apelo

Me agarram pelas pernas

Certas mulheres como você

Me levam sempre onde querem

“Léo” ela o chamou novamente, cortando o silêncio. “O que você tanto gosta nas nuvens?”

“Bem…” nunca tinha pensando muito sobre isso. “As nuvens. Como dizer? De certa forma, elas me passam paz que eu sempre quis.”

“Nossa! Nunca pensei que ouviria palavras assim vindas da sua boca!” ela exclamou.

“O que você quer dizer com isso?”

Ela o encarou rapidamente e depois balançou a cabeça.

“Esquece” ela respondeu.

Como era enigmática. Ele, o melhor de seu curso; possuidor de um QI de 200, não conseguia decifrá-la. Perto dela, ele não se sentia inteligente. Perto dela, ele se sentia apenas um menino que mal sabia o bê-á-bá.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher…

São só garotos

Júlia não demorou a notar que Léo a observava. Abriu um belo sorriso para ele. Aquele sorriso cheio de charme que só ela sabia dar. Estava se tornando irresistível.

Seus dentes e seus sorrisos

Mastigam meu corpo e juízo

Estava tomando conta dele. Não conseguia em mais pensar nada senão ela. Apenas seu olhar fazia com que todo o pensamento lógico se dissipasse. O raciocínio já não trabalhava. Naquele momento ele só queria uma coisa.

Queria beijá-la.

Devoram os meus sentidos

E eu já não me importo com isso

Sem ligar para as consequências, Léo pousou um das mãos na face da amada e, com a outra, a puxou para mais perto de si. Estavam muito próximos. Não desgrudavam os olhos um do outro. Por fim, já tomados pelo clima presente, o beijo começou.

Então são mãos e braços

Beijos e abraços

Pele, barriga e seus laços

São armadilhas

E eu não sei o que faço

Aqui de palhaço

Seguindo seus passos

Após um bom tempo, aquele gesto tinha acabado. E Léo havia recobrado a consciência.

“Desculpe Júlia, eu não…” ele tentou se desculpar.

“Sabia que você não ia resistir!”

Léo ficou surpreso com a afirmação. Aquilo tinha sido um jogo para ela? 

Ele nunca saberia.

“Vamos. Temos aula de estratégia de empresas agora” a loira disse, se levantando e estendendo a mão para ele. “Depois disso, você podia me chamar para comer em algum lugar, sei lá…”

“Certo…” ele concordou calmamente e passando um dos braços pelos ombros da garota.

Nada fazia sentido. O que não queria dizer que não era bom.

Garotas sempre seriam problemáticas para garotos.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher…

São só garotos

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