Diarinho: Marina e a língua alemã

Na quinta-feira passada finalizei o meu primeiro semestre do curso de alemão (lembram que coloquei como meta aprender a língua?). Fiquei com 9,4 na média final. Sim, estou muito orgulhosa de mim mesma. Porém, não escrevo este post para me vangloriar. Na verdade, quero falar um pouco da minha experiência e, quem sabe, mudar a opinião de alguns sobre esta língua que a primeira vista parece ser tão impossível de se assimilar.

Primeiramente gostaria de deixar claro que eu tenho uma vantagem: além de amar línguas, tenho facilidade para aprendê-las. Também incorporo sotaques rapidamente e preciso me segurar para não voltar falando “esquisito” de lugares onde fico por mais de três dias. Ainda assim, escorrego bastante no “pernambuquês” e no “carioquês” porque, em questão de português, são os sotaques com que tenho mais contato.

E mesmo possuindo essa “vantagem” não consegui me dar bem com o francês. Aliás, desisti da língua no início do intermediário. Analisando melhor, eu estava fadada a “fracassar” desde o primeiro semestre simplesmente porque não sabia  escrever em francês. Não entendia as regras porque a fala não correspondia à escrita. No alemão isso já não acontece; a fonética e a escrita são bastante similares, assim como no português. 

6f40d0d2edfec7c76f3c362fea2d5453“Vai me dizer que falar alemão é fácil?”, vocês podem me questionar. Não. Nada a ver. A língua tem uns fonemas bem diferentes do que estamos acostumados. No entanto, posso garantir que são menos complicados do que os do árabe, hebraico, coreano e mandarim. Querendo ou não, o alemão e o inglês derivaram do germânico. Os dois são como primos, principalmente do inglês britânico. Pode parecer maluquice, mas o meu accent voltou (dois anos longe da Inglaterra fazem isso) a ser mais como o da rainha Elizabeth depois que comecei a aprender alemão.

Na parte gramatical, os primos se tornam parentes bem distantes. Não caia na história de que as duas línguas têm estruturas parecidas. Vai parecer absurdo, mas, até onde aprendi, o alemão nesta área vai mais para o francês! Aliás, os meus colegas de classe que falam italiano também viram algumas similaridades. Principalmente na questão da conjugação do Passado Perfeito. Sem contar que alguns verbos e substantivos têm a versão germânica e a latina. Exemplo: o verbo anrufen é sinônimo do telefonieren. Já deu para sacar o que eles significam, não é?

OK. Vou confessar outra coisa – talvez as similaridades com o latim só fiquem no Passado Perfeito. Só estava tentando animá-los. A realidade é: a estrutura gramatical alemã não parece com nada como que já vi antes (apesar de haver uma lógica). Mas vejo isso como algo positivo. Por ser tão diferente, o alemão não vai se embolar com as línguas que vocês já conhecem. Claro que isso não vai te impedir de falar um “the” auto quando esquecer que auto (carro) é um substantivo neutro, o que faz com que o seu artigo seja “das“.

Agora vamos a algumas particularidades que aprendi neste primeiro semestre de alemão:

– Além dos substantivos neutros, existem os masculinos e os femininos. Ou seja, existem três “gêneros” no idioma;

– No plural, os substantivos vão para o feminino e não para o masculino, como estamos acostumados. Girl Power!;

– Todo substantivo começa com letra maiúscula;

– As palavras gigantes que nos assustam são, na maioria das vezes, duas ou mais palavras juntas. Se as falamos, elas ficam “separadas”;

– Sabe o número 25 (vinte e cinco)? Em alemão você diz cinco e vinte. A inversão só vale para as dezenas e pode causar uma confusão danada nos exercícios com áudio;

– Entender as horas pode ser um dos tópicos mais complicados! Afinal, “cinco minutos antes da metade das oito” nunca vai soar como 7:25.

– Se você, como eu, tinha e ainda tem dificuldade no inglês com as preposições in, on e, algumas vezes, at… Esquece. Falar em preposições alemãs sempre me deixa desanimada.

Por fim, quero compartilhar o que mais tem me deixado encantada com o alemão: a cultura. Entender uma língua é sempre conhecer uma cultura nova. Acho que este é um dos motivos principais por eu amar aprender novos idiomas. Só fiz um semestre e já tenho certeza que adoro a Alemanha. Apesar da história complicada e mais que polêmica (lê-se II Guerra Mundial), é um país que se mostra cada vez mais incrível para mim. Se derem uma chance, o mesmo pode acontecer com vocês também.

Ich liebe Deutschland und die Deutsche Sprache. ❤

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