Meu diário ortognático 2 – 22 dias depois

Cá estou (sobre)vivendo o pós-operatório. Já posso passear entre humanos, mas não posso dirigir e é recomendável evitar lugares fechados. Meus movimentos estão mais livres, porém abaixar a cabeça pode resultar em mais inchaços na bochecha. Se trabalho demais, minhas fome não suporta a minha dieta, que consiste em caldos, suco e iogurte. Ah! Consigo comer chocolate também, pelo menos. Mais 23 dias e posso voltar a mastigar.

Ainda assim, cada dia é uma nova vitória. É o lábio inferior que se movimenta, o rosto que afine, a mordida que se ajeita ou a acne que diminui. Sim… ACNE! Para evitar possíveis processos alérgicos durante a cirurgia, colocam um componente que é difícil de se eliminar e que acaba desencadeando num belo rosto adolescente. Já fui ao dermatologista e estou cuidando disso. Também tenho frequentado a fisioterapia. A meta é abrir a boca um pouco mais cada sessão. Atualmente conto com 25mm de abertura (o normal é tipo 40).

Quanto às minhas atividades, voltei às aulas de alemão na semana passada. Não se preocupem, eu quase não perdi nada da fala. Não reproduzo alguns fonemas simplesmente porque meus lábios não colaboram. Acupuntura tenho feito em casa (obrigada, professor). Ainda não tenho condições de voltar pro meu trabalho voluntário, infelizmente. De casa, consigo resolver tudo da Feira do Livro e do mundo da escrita.

E é isso.

Não, claro que não tem só isso! Agora vou falar da cirurgia em si e dos perrengues que passei na primeira semana pós-operação.

A cirurgia

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Durou 4h30. E foi trabalho completo – maxila, mandíbula e queixo. Entrei no centro cirúrgico umas 6h50. Deitei na maca, introduziram o soro, aplicaram algo na minha veia e… acordei! Pensei que fosse rolar aquele momento embaraçoso de estar grogue e falar besteira pros médicos, mas a anestesia geral veio direto. Porém, admito, despertar na sala de recuperação é bem desesperador. Você sabe onde está, mas nada faz sentido. Enfermeiras e enfermeiros mexem em você toda hora, tirando a temperatura ou dando medicamento. Daí tiraram algo do meu nariz e eu percebi que estava com aqueles respiradores. Queria ir ao banheiro e tinha uma sonda. Desesperador.

A parte mais louca foi um cara que chegou pra tirar raio-x. E eu tinha que colaborar! Mal conseguia me mexer, mas precisava levantar o ombro pra que a placa ficasse no lugar certo. Depois descobri que era algo necessário pro plano de saúde. E logo depois pude ir para o quarto, então foi alívio parar de recitar a musiquinha das preposições do Dativ.

Ver meus pais foi um alívio. Tipo porto seguro, sabe? Mesmo que ainda estivesse super fora de órbita. Fui apresentada a enfermeira que cuidaria de mim ali no quarto e também até quarta-feira daquela semana. Pessoas que pensam em fazer a cirurgia, contratem uma enfermeira. A minha foi um anjo. Márcia, eterna gratidão.

Passei uma noite no hospital. Foi tão ruim quanto a que fiz aquele teste do sono numa clínica. Acreditam que foi tipo a primeira vez que fiquei num hospital? Ano retrasado fiz um mini procedimento na garganta que demorou 15 minutos, mas só. Nunca tinha recebido soro ou visto a equipe em ação. Minha conclusão: o pessoal da saúde é muito corajoso. Eu nunca aguentaria.

De volta pra casa – fase gelo

No domingo à tarde já estava em casa. Amém. Nada como estar no seu ambiente. Eu poderia ler e assistir às séries que quisesse, era o que eu pensava. Ledo engano. Após a novela de arranjar um jeito melhor para escorar as costas, eu não podia me mexer muito. Estava na fase gelo. Ou seja, o tempo todo tinha gelo no meu rosto pra conter o edema da cirurgia.

Sabem o que é ficar  o tempo todo com gelo no rosto? Não parar de sentir frio, ficar com o nariz entupido e se desesperar por isso? Isso sem contar a cabeça que pesava como nunca. Não dava pra ler, muito menos assistir filme ou seriado. Foram dois dias de tortura, deitada e com as costas doendo. A sorte é que deveria aturar isso até quinta-feira. Felizmente a Márcia convenceu o cirurgião a me passar logo pra fase calor.

Antes da tal fase, preciso comentar outras tristezas: que coisa horrorosa é tomar todos os remédios triturados e dissolvidos na água. Inchada do jeito que estava, me engasgava com tudo. Se eu me levantasse, babava. E o nariz? Cada “minhoca de sangue”! Palavras da Jout Jout!

Fase calor – amém, posso me sentar de verdade

Agora eu precisava (e ainda preciso) colocar compressas quentes no rosto três vezes ao dia. Acabou a alergia de imediato! A cabeça já não pesava tanto, até porque o inchaço diminuia a cada dia. Passava o dia em frente à TV ou lendo. Não mudou tanto desde, então. A autorização pra usar o computador veio na semana seguinte.

Nada muito extraordinário aconteceu, a não ser a parte de que quase zerei minha lista da Netflix. Não durou muito.

Semana que vem (e se a minha pele ficar mais apresentável) devo fazer um vídeo pra dar mais detalhes da recuperação. 🙂

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24 comentários sobre “Meu diário ortognático 2 – 22 dias depois

  1. Eeeeeeeita como eu sei bem dessa fase! Hehehe
    Revi minha história na sua escrita. Cada fase de cada dia, cada momento de desespero. Sei como é!
    Alguns meses antes da minha cirurgia, eu tomei roacutan pra tratar da acne. Por esse milagre, não tive problemas na pele durante a recuperação da cirurgia. Ufa! Mas sei como é… Uó!
    A fase da dor nas costas… A fase do gelo… A do calor! Das séries! E no meu tempo não existia Netflix ainda! Huahuahuahua! Eu baixei uma infinidade de coisas pra ter o que assistir. E zerei todos os jogos que eu tinha, hahahah!
    Ai ai, Mari. Aguente firme, viu? Essa questão da fisioterapia e da acupuntura é chatinha, mesmo, mas depois de cada sessão dá vontade de chorar de alegria pelo avanço! Vai dar tudo certo!

    Mantenha o foco na mordida! Não te falei da mordida? Ah, era meu sonho! Eu imaginava, todas as noites, como ficaria o desenho da minha mordida perfeita em uma fatia de pão! Hahahah! E olha… Quando eu estava totalmente recuperado e dei uma mordida linda num pãozinho, queria tirar foto daquilo! Hahahah!

    Fique bem! Um beijo!

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