Diarinho: Relato de como me tornei uma alboranista

Há pouco mais de um mês estava me preparando para ir a um dos melhores shows da minha vida. Duas das minhas amigas já tinham partido para o teatro onde o espetáculo se daria. Até então, não entendia bem o porquê de saírem tão cedo. Os lugares eram marcados, não eram? Três horas depois eu as avistaria do setor de cadeiras. Dava pra ver que elas estavam empolgadas na primeira fila, de frente para o palco. Eu estava super animada também. Não é todo dia que você vai para um país estranho só para ver alguém cantar. Luzes se apagam, a banda começa a tocar e Pablo Alborán entra em cena. Gritos tomam conta da acústica. Sem perceber, eu era uma das que gritava também. Sem perceber, eu tinha virado uma fã de carteirinha do cara!

Tá. Quem é Pablo Alborán? Eu explico: Um cantor espanhol. Vai aí o último clipe dele para avaliação.

Tenho dois CDs. As músicas dele realmente me tocam e são ótimas para escutar no carro. E era só isso. Curtia a página dele no facebook por amizade. Participei de alguns projetos que o fã clube fez (até vídeos editei). Nunca imaginei que um dia me esforçaria para ir a um show dele. Os ventos mudaram de direção quando uma amiga resolveu morar em Santiago do Chile com o namorado. Minhas amigas decidiram visitá-la justamente na época que a Tour TERRAL (do novo CD) passaria pelo país. Pela farra e pela saudade, comprei o ingresso e a passagem.

E aí eu estava lá, naquela cadeira super apertada para um meu um metro de perna. Porém, eu não ligava. Pablo Alborán cantava, me embalava e encantava enquanto eu e o casal Brasil-Chile segurávamos a bandeira verde e amarela. No fim do show, eu era pura energia. “Vir até aqui valeu cada centavo”, pensava. Saímos do teatro Caupólican, desbravando um mar de mulheres e homens de todas as idades. O grupo se reencontrou. Abracei minhas amigas sem parar. Ríamos sem motivo. O show tinha sido incrível.

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“Vívela Vívela”

Depois da euforia veio a fome. Rumamos para um “shopping” de restaurantes chamado Pátio BellaVista. Só que não ficamos todos juntos. Ao encontrar o fã clube chileno, as amigas que tinham chegado mais cedo optaram por trocar experiências. Eram muitas meninas mesmo. Fiquei impressionada. Jantei com o casal amigo e depois seria a hora de dormir. Só que eu não dormi. As amigas estavam sem chave e fiquei de abrir a porta para elas. O portal do apartamento só foi atravessado lá pras cinco da matina. Entre sono que não se transformava no ato de dormir, escutei as duas narrarem que tinham aprendido muito com o fã clube chileno e estavam loucas para botar em prática com o fã clube brasileiro.

Foi nessa hora que percebi. Caramba, essa parada é séria mesmo.

Sabe? Eu super fã de uma boyband coreana que se chama 2PM duas da tarde. Participo da fanbase tupiniquim, escrevo versões para as músicas deles e acompanho quase tudo dos seis rapazes. Mas, né? Eles estão do outro lado do mundo. Realmente sonho em poder conhecê-los algum dia. Ainda assim é um sonho distante. Então não preciso me preocupar com a logística de me deslocar para os shows ou lidar com regras. Com o Pablo Alborán o esquema era outro.

No outro dia a sorte sorriu para mim: Tive a oportunidade de me encontrar com o cantor espanhol em pessoa.

Aliás, acabei ficando cara a cara com vários dos integrantes da banda também. Notei algo engraçado. Várias meninas pediam que eles autografassem seus CDs (do Pablo). Na minha cabeça aquilo não fazia muito sentido. Em compensação, alguns membros da banda usavam as fitinhas do Senhor do Bonfim que minhas amigas tinham passado a noite arrumando em pacotinhos super fofos. Fazia sentindo e tinha sido bem legal da parte deles.

Alguns minutos passam. Uma van branca estaciona quase na nossa frente. Dá pra ver que o Pablo está lá dentro. Todas ficam animadas. Primeiro sai um rapaz da produção. Ele avisa que o Pablo está muito cansado, que falará com todas, mas que só vai tirar uma foto do grupo. Concordamos.

Pablo Alborán sai do carro. Dá para ver que ele está muito cansado. Senti até um aperto no coração. Mesmo assim, ele cumprimenta cada uma de nós. Tira uma foto com o grupo. Despede-se. Por dentro não paro de gritar “CARACA MERMÃO, ACABEI DE ABRAÇAR O ALBORÁN”.

Mais tarde estaria numa reunião gigante entre as brasileiras e as chilenas. Eu só observava. Dali a dois dias, muitas de Santiago iriam para Viña del Mar para assegurar que tudo ocorresse bem por lá também. Elas eram como uma organização pronta não só para defender o trabalho do artista favorito, mas também para defender o bem-estar dele. Todo o estranhamento inicial tinha sido substituído por admiração.

De repente outra ficha cai para mim. Eu quero fazer parte daquela organização também. Quero que os brasileiros possam ter a mesma experiência que eu tive e que o Pablo também possa desfrutar o melhor do Brasil. Eu havia me convertido numa alboranista.