Zumbis não admiram o pôr do sol

Poderia ser só mais um dia preguiçoso de férias. Acordariam tarde, almoçariam, passeariam pelo Terraço Shopping (que era literalmente o terraço da quadra deles, a AOS 8), assistiriam a algum filme e depois virariam a noite em alguma disputa de jogo de tabuleiro. Eram férias de verão em Brasília. A cidade sempre ficava vazia porque era “muito mais legal visitar parentes de outros estados”. Só que os quatro amigos de infância não tinham parentes em outros estados. Desse jeito, acabaram se juntando, por morarem no mesmo bloco, e levaram grande parte dos janeiros de suas vidas com esses dias preguiçosos.

Naquele ano, porém, resolveram fazer algo diferente.

A ideia surgiu de uma fonte um tanto inusitada, um filme. Título? Capital dos Mortos, sobre um apocalipse zumbi passado ali, na capital brasileira. A sugestão veio do Rafa; ele adorava buscar coisas que nem todo mundo conhece. Alma de hipster, apesar de sempre manter a aparência e os cabelos castanhos impecáveis, de acordo com a moda. Quando ficou sabendo da produção brasiliense, foi atrás dos criadores e comprou o DVD.

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— Esse foi o filme mais bizarro que já assisti em toda a minha vida. — Foram as palavras de Alana quando os créditos terminaram de subir.

— Ah! Fala sério! Vai dizer que você não gargalhou com o diálogo do início? —Rafa rebateu.

— Gargalhei, mas o resto das risadas vieram de nervoso. Não conseguia acreditar no que estava vendo.

— Alana, você é sempre muito crítica! — Rafa riu, Alana revirou os olhos esverdeados que a faziam popular entre os garotos da escola.

Ainda rindo, Rafa se virou para Gabs e pediu a sua opinião. Ela era a mais calada dos quatro, mas também tinha as opiniões mais fortes.

— A história não é lá uma maravilha, apesar de ter gostado… A parte mais legal foi reconhecer alguns lugares da cidade na tela — disse.

Rafa e Alana imediatamente se encararam. Em nenhum momento da 1h25 de filme se tocaram disso.

— É verdade. Sabem a cobertura de uma das cenas? Minha tia mora naquele prédio! Já virei um ano novo lá com a minha família. — Tiago complementou com a sua voz grossa e melodiosa.

Começaram, então, a repassar as partes do filme, tentando reconhecer os lugares. Asa Sul, Congresso, Complexo da República. Aquela cena seria no Cruzeiro? E nesta? Em que parte da W3? E a Ermida Dom Bosco. “Já foram lá?”

— Como assim não? — questionou Tiago, indignado. — Além de ser um ponto turístico superimportante, é o lugar mais tranquilo pra dar um mergulho no lago Paranoá.

— Eu nunca mergulhei no lago Paranoá. — Resposta da Alana.

— Nem eu. — Rafa e Gabs concordaram em uníssono.

Tiago estava chocado. Para ele, não ter entrado no Paranoá era como não ter sido batizado na cidade. Rafa riu, desdenhoso, porque sabia que ele nunca havia provado da única especiaria da cidade e que coincidentemente levava o nome da ermida – a pizza Dom Bosco. Veio a vez de Alana e Gabs se entreolharem, elas também nunca a tinham experimentado. Logo Alana se gabou de ser a única a ter visitado o Templo da Boa Vontade (ou pirâmide da LBV) e, por fim, Gabs era a primeira do grupo a admirar o pôr do sol na Praça do Cruzeiro.

E foi assim que chegaram àquele domingo. A previsão do tempo prometia céu claro com algumas nuvens e temperatura mais pra alta; perfeita para o dia que planejavam. A parada inicial era o almoço (porque nenhum deles se dispôs a acordar cedo). Combinaram de se encontrar embaixo do bloco ao meio dia. Cada um com a sua mochila, Alana, Gabs e Rafa acabaram se trombando no elevador. Tiago já esperava por eles, dentro do carro do seu irmão mais velho – foi uma novela convencê-lo a liberar o volante em pleno final semana, mas deu certo. Todos a bordo, zarparam rumo à Pizzaria Dom Bosco do Sudoeste.

Não deu nem dez minutos e logo se encontravam no destino. Alana reclamou de não ter lugar para sentar. Rafa respondeu dizendo que fazia parte da tradição, cultuada desde 1960 quando a primeira loja abriu. Também se adiantou a dizer que só havia um sabor de pizza, único e especial. Alana não criticou porque era vegetariana e ficou feliz ao ver que este era de mussarela com molho de tomate. Os quatro pediram fatia de pizza dupla e mate. Tiago, o mais alto e mais forte, repetiu. Em menos de meia hora, já estavam a caminho do próximo ponto turístico a ser explorado: a pirâmide da LBV.

Alana era pura empolgação. A última vez que tinha visitado o “chapéu”, como costumava chamar, fora há uns doze anos. Quando pequena, estudava num colégio ali perto e, sempre que passava, perguntava aos pais o quê havia dentro daquele chapéu branco e pontudo. Um dia, resolveram levá-la para descobrir. Apesar de a memória ter apagado a maior parte do percurso, nunca se esquecera da sala do grande cristal.

— Sala do grande cristal? — Tiago agora estava curioso.

— Sim. É uma sala com tipo dois caracóis que se entrelaçam, um claro e um escuro. Você anda por eles e, no centro dos dois, pode olhar pra cima e ver o cristal. Dizem que é o maior cristal puro do mundo! — Alana respondeu.

— O templo faz parte de alguma seita? — Rafa quis saber.

— Não que…

— É um templo ecumênico. — Gabs se manifestou antes de Alana, mas nem levantou a cabeça. — Estou aqui navegando no site. Sabiam que tem um código de vestimenta? Estamos todos usando short ou bermuda… Seremos barrados.

— Ai não!

— Bom, estamos perto da Octogonal. Voltamos rapidinho? — Tiago sugeriu.

— De jeito nenhum. Vai quebrar a magia do dia!

— Que magia, Rafa? — Alana perguntou.

— Ora, nós planejamos esse dia/tarde com todo o nosso fogo juvenil. Não podemos simplesmente voltar pra casa e sermos tomados pela nossa energia zumbi de janeiro.

Rafa às vezes falava coisas estranhas. Essa, sem dúvida, tinha sido uma delas. Fogo juvenil? Energia zumbi de janeiro? De onde ele tirava tais pérolas? Num momento de transmissão de pensamento e incrível sintonia, Gabs, Alana e Tiago desataram a rir.

— Eu falei sério! Precisamos dar um jeito! — Rafa insistiu.

Dar um jeito. Dar um jeito… Como num passe de mágica, uma lâmpada acendeu nos pensamentos de Alana.

— Já sei! Eu e a Gabs podemos usar as cangas que trouxemos para Ermida como saias compridas. E, Tiago, seu irmão não deixa sempre os uniformes do time de basquete aqui no carro? As bermudas são largas e mais compridas, acho que podem passar despercebidas.

— Isso! — Rafa exclamou.

Ao chegarem ao estacionamento da LBV, resolveram deixar o carro um pouco afastado para que pudessem se trocar. Gabs e Alana já desceram com as cangas nas mãos. Enquanto amarravam as novas saias, os meninos abriram os porta-malas e, para o alívio de todos, deram de cara com a bolsa com os uniformes do Calangos Esguios, time do qual o irmão do Tiago era capitão. Rapidamente, vestiram as bermudas.

Estavam prontos.

Só que, quando se olharam, tiveram uma nova crise de risos. As novas roupas estavam hilárias. Em especial a de Gabs que, por medo de ser barrada por causa da regata que trajava, vestiu um casaco jogado no banco (que também deveria ser do irmão do Tiago) três vezes o tamanho dela.

— Podem nos barrar por estarmos ridículos? — Rafa perguntou brincando.

— Claro que não. Estamos só seguindo a nossa religião do fogo juvenil! — Tiago respondeu.

Esperaram cinco minutos, até que as gargalhadas cessassem. Então, marcharam orgulhosos em direção ao templo do chapéu branco. Ninguém foi barrado, mas os deboches e olhares de reprovação de algumas pessoas não passaram despercebidos. Nada os abalou. Entraram no templo, passaram pela sala egípcia (que era bonita, mas meio escura) e se maravilharam diante a sala do grande cristal.

Era ampla, de cores sóbrias. O silêncio era quase absoluto. E havia aquela sensação de… paz.

Não disseram nenhuma palavra. Sentaram-se num dos vários bancos da sala. Depois de algum tempo, tiraram os sapatos. Viram que alguns turistas percorriam os “caracóis” descalços, decidiram fazer o mesmo. O contato dos pés com o chão frio parecia que os unia completamente ao ambiente.

Alana iniciou a caminhada. Depois foram Gabs, Tiago e Rafa. Deveriam pensar em algo? Fazer alguma oração? Meditar? Não sabiam. Até porque a mente deles estava calma e um tanto vazia. Parecia que o mundo havia parado, mas estavam conscientes de que ele continuava rodando. Na saída do caracol, uma mesa cheia de copos d’água estava posta. Nem hesitaram. Apenas beberam da água fresca.

Deixaram o salão do grande cristal com um certo pesar, mas precisavam seguir. Havia uma exposição de fotografias sobre o Mali, o que deixou Gabs fascinada. Ela amava fotografia. Queriam dar todo o tempo do mundo para a amiga apreciá-las. Porém, Alana olhou seu relógio de pulso e falou que passava das 15h. A estadia no templo já durava mais de duas horas. Ainda assim, antes de irem embora, compraram pedaços de cristais na lojinha antes da saída. Seria um símbolo da amizade deles e da sensação de paz que sentiram ali.

— Estou com fome. Podemos dar um pulo num supermercado antes de irmos pra Ermida Dom Bosco? — Tiago se manifestou. Sua voz estava mais melodiosa que o normal.

— Claro. Vamos fazer um piquenique? — sugeriu Alana.

Rafa concordou com a cabeça. Gabs também, mas antes tinha um pedido:

— Quero uma foto da gente na frente do templo. E sem trocar de roupa.

De repente, eles não estavam mais no mundo zen e das nuvens. Deram-se conta do quanto ainda eram a materialização do ridículo e gargalharam como nunca. Nem perceberam quando um segurança se aproximou e se ofereceu para tirar a bendita foto – ele havia escutado a rápida conversa dos quatro amigos.

Com as roupas “normais” e de volta ao carro, passaram no supermercado e seguiram para a Ermida Dom Bosco. Silêncio reinava entre eles, mas a lista com músicas brasilienses tocava (ideia do Tiago). Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, principalmente. Clichê? Não importava. Era o clichê perfeito para aquele dia.

— E chegamos ao local do batismo! — Tiago exclamou assim que atravessaram o portal da ermida.

— Confesso que estou empolgado — Rafa disse, rindo.

— Garanta novamente que não vou pegar uma infecção por mergulhar no lago? — Alana pediu, mas o tom era de brincadeira.

— Eu te garanto, Alana.

— Opa! Quero foto ali! — Gabs exclamou, apontando para o mirante.

Sem hesitar, pararam na ermida de fato. O mármore branco da capela triangular lembrava o da pirâmide da LBV. A imagem de Dom Bosco, porém, deixava claro que aquele não era um templo ecumênico.

— Em pensar que Capital dos Mortos se inicia aqui… — Alana comentou.

— Pois é. Aliás, Brasília começa aqui, né? De acordo com aquele sonho profético do nosso tão-presente-no-dia-de-hoje Dom Bosco — Rafa complementou, orgulhoso.

— Aquele que ele teria sonhado com as coordenadas de Brasília? — Gabs perguntou. Rafa respondeu com acenos da cabeça. — É mentira.

— O QUÊ? – Rafa, Alana e Tiago gritaram.

— Brincadeira.

— GABS! – gritaram juntos de novo

— Uma vez li que, de fato, essa história era uma invenção de um tradutor italiano. Mas, no fim, nunca saberemos, né?

Gabs realmente era a mestra das frases mais significativas.

– Agora, a foto. Venham!

Os três riram e se juntaram à Gabs, de costas para o mirante. Tiraram uma selfie rápida e depois ficaram um tempinho observando a paisagem. O plano piloto brilhava embaixo do sol.

À beira do lago, vários grupos como o deles aproveitavam a tarde. Queriam ficar perto da doca, mas logo viram que não havia lugar para eles. Tiago, que conhecia os esquemas, acabou os levando para uma beirada na grama. As meninas estenderam as cangas para que todos se sentassem. Tiraram as comidas da mochila e começaram a conversar:

— Sabem? Ainda falta uma parada para terminarmos o nosso passeio, mas já tenho quase certeza que hoje vai pra minha galeria de dias mais especiais da vida — Rafa admitiu.

— Concordo. — Alana… concordou?

— Agora sim começa o apocalipse zumbi. Alana não fez nenhuma crítica! É o fim dos tempos! — Rafa brincou, fazendo todos rirem.

— Mas, sério! No chapéu… digo, na LBV já estava pensando nisso. Nós somos amigos há anos e brasilienses de nascença. Como assim nunca pensamos num programa desse antes?

— Acho que é o mesmo caso das pessoas que moram no litoral e quase nunca vão à praia. — Tiago sugeriu.

— É que rola aquele pensamento de “eu tenho isso tempo todo e posso ir a qualquer hora”.

— Boa, Gabs.

— Não deixa de ser meio louco. O ser humano é muito louco. Mal posso esperar pela faculdade de psicologia! — Alana terminou.

É verdade. O terceiro ano do ensino médio havia terminado. Logo estariam na faculdade, nos cursos que haviam escolhido. Alana, psicologia. Rafa, história. Gabs, comunicação. Tiago, administração. Não estudaram na mesma escola e, por isso, não sentiriam a separação na rotina. Isso significava que nada mudaria entre eles? Os verões seriam diferentes?

Era melhor não pensar nisso.

— Agora que a fome não está mais entre nós, vamos mergulhar!

Os quatro se despiram rapidamente. Sairiam correndo para o lago, mas havia uma “praia de cascalhos” no caminho. Na verdade, eram pedrinhas que dificultavam o trajeto. Apostaram quem chegaria primeiro na água, mesmo assim. Tiago ganhou. Alana entrou por último. Andando mais um pouco, sentindo o frescor se espalhando, formaram uma fila lado a lado.

— Na contagem, hein? — Tiago anunciou. — 1, 2 e 3!

E mergulharam.

De volta à superfície, era como se realmente tivessem passado por um batismo. O lago Paranoá era artificial, mas também era uma fonte importante de Brasília. Era ele que proporcionava umidade quase inexistente no cerrado. Pura simbologia.

— Finalmente somos verdadeiros cidadãos brasilienses! — Rafa disse.

— Estou muito honrada, irmãos! — Alana exclamou, dramática. — Viva o fogo juvenil!

— VIVA! — os demais gritaram, jogando água para todos os lados.

Assim se iniciou uma guerra de jorros, hadoukens e poderes aquáticos. “Montinho na mais nova daqui”. Gabs teve que aguentar. Briga de galo? Gabs, dessa vez, ganhou poder de decisão e escolheu Tiago como par. A disputa contra Alana-Rafa foi dura, a baixinha e o gigante acabaram vencendo. Opa! Alana caiu em cima do Rafa, de uma forma um tanto constrangedora. Eles estavam vermelhos ou seria o sol? Primeira opção, né? Gabs e Tiago sorriram e nadaram para longe; já desconfiavam que rolava um clima entre aqueles dois há algum tempo. De longe, observaram uma interação encabulada. Ficaram torcendo por um beijo, mas só vinham sorrisos-flerte e toques-de-quero-mais. Alana e Rafa, por fim, saíram da água de mãos dadas e se sentaram nas cangas. Um tanto decepcionados, Gabs e Tiago acabaram por imitá-los.

— Já vamos para a última parada? — Alana perguntou.

— Ainda temos uns quinze minutos se quisermos chegar a tempo para ver o pôr do sol — Tiago respondeu, verificando as horas no celular. — E aí? Ainda acha que vai contrair alguma infecção, Alana?

— Nah… Achei esta parte do lago bem limpinha.

— Não te disse!

Alana revirou os olhos. Tiago gargalhou alto.

Passados os quinze minutos, arrumaram seus pertences e pegaram o caminho de volta. Na subida, tropeçaram num grupo de pessoas vestidas de branco da cabeça aos pés. Estas sim fariam uma cerimônia de batismo de verdade.

— Cansei de ir atrás, quero ficar no banco do carona agora — Gabs falou e se sentou ao lado de Tiago. O esquema para deixar Alana e Rafa juntos tinha sido combinado ainda quando estavam dentro d´água.

Os “pombinhos” nada contestaram. Aliás, Alana não pensou duas vezes: deitou a cabeça no colo de Rafa. Ele nem conseguiu esconder o sorriso. Ficaram no mundo deles, enquanto Tiago e Gabs conversavam amenidades e admiravam o céu brasiliense mudar de cor.

O tom era rosa quando finalmente aportaram na Praça do Cruzeiro. Tiago estacionou o carro de frente para o horizonte, direção oeste. Rafa se escorou no capô e Alana se aninhou a sua frente. O romance dos dois já era praticamente oficial. Os solteiros também se escoraram, porém lado a lado.

Cinco minutos depois, o local estava apinhado de turistas. Ouviram sotaques nordestinos, o chiado do carioca e o cantado de algum lugar do sul. Queriam uma nova foto. O registro ficou por conta de uma manauara muito simpática.

— Depois vou querer todas as fotos, dona Gabs! — Alana ordenou.

— Mandarei todas ainda hoje. Não se preocupe!

— Vai tirar do pôr do sol também, né? — Rafa quis saber.

— Claro!

— E conta pra gente… foi por causa desta praça que você começou se interessar por fotografia? — Tiago perguntou, sério.

Gabs perdeu a voz. “Como ele havia adivinhado?”

— No seu mural de fotos tem uma sua, aqui, com o seu pai — ele respondeu. Parecia que lera os pensamentos delas.

Alana e Rafa permaneceram calados. Também tinham visto a foto. Só nunca desconfiaram do significado por trás. Sabiam apenas que o pai de Gabs havia falecido quando ela era pequena. Ponto.

A voz de Gabriela voltou após alguns segundos. Fechou os olhos e se pôs a narrar:

— Papai contava que meu bisavô era candango e veio pra Brasília na primeira leva de trabalhadores. Ele até tinha testemunhado de longe a primeira missa da capital, aqui na praça — Gabs falou, perdendo-se em suas memórias. — Eu tinha seis anos, e meu pai já estava muito doente por causa do câncer no estômago. Um dia, me tirou da cama e saiu comigo para passear. Fomos aos lugares favoritos dele, da casa da minha vó à sorveteria que ele adorava. Ele tirou fotos de todos os momentos. Dizia que não havia recordações melhores que as contidas nas fotografias. O nosso passeio terminou aqui e ele morreu uma semana depois.

A lembrança era antiga, mas ainda doía. Gabs deixou uma lágrima escapar. Limpou rapidamente com a mão. E aí reparou que os amigos choravam cachoeiras ao seu lado. Alana até soluçou.

— Será que eu vou ter que consolar vocês? — Gabs brincou.

Imediatamente os amigos riram. Também se abraçaram. Olharam pro horizonte e o sol já se deitava. O espetáculo era estonteante. O céu, de um vermelho e amarelo sem igual. Quando desapareceu por completo, na praça do cruzeiro apenas soava o som das palmas.

Gabs acabou se esquecendo de tirar as fotos. Presenciar aquela memória, naquele momento, era mais importante do que guardá-la em formato retangular. Ninguém reclamou.

Entraram no carro. Sentiam o cansaço bater, mas estavam felizes: tinham a plena certeza que aquele era um dos dias mais especiais de suas vidas. Mesmo que os janeiros mudassem com a entrada na faculdade ou que o romance entre Alana e Rafa não durasse. Naquela lembrança, a amizade entre eles seria eternamente um tesouro incrível.

Tiago deu a partida. Hora de voltarem para AOS 8, lar. Abriu os vidros e uma pergunta de imediato veio a sua mente ao olhar além da Praça do Cruzeiro.

— Ei… vocês já visitaram o Memorial JK?


Que tal o meu conto? 🙂

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