We Know

Graças ao meu último post, passei a noite do Dia Dos Namorados assistindo “Um amor pra recordar”. Não, não foi depressivo. Foi bem legal, na verdade. Eu não ligava para o filme desde que descobri que a história era obra do Nicholas Sparks – preconceito meu, admito. Ainda assim, guardei o DVD na minha coleção. Como geralmente não saio às sextas porque trabalho no sábado pela manhã, resolvi que a hora de revê-lo havia chegado.

AIMEUDEUS LANDON
AIMEUDEUS LANDON

Nada mudou. Landon quando fala ainda me deixa arrepiada com aquela voz super sedutora, gritei de emoção na parte que ele leva Jamie para “estar em dois lugares ao mesmo tempo” e fiquei chorando aos prantos enquanto os créditos rolavam. Ai como eu sou brega.

Hoje, terça-feira e também 65% recuperada de uma gripe horrorosa que me pegou no sábado, lembrei-me de uma Songfic que escrevi em cima da música “Someday We’ll Know” (isso foi em 2006). Não consegui ir para a aula de alemão, tive tempo de transformá-la em um conto musicado. Apenas corrigi erros de Português e mudei os nome dos personagens.


Os orbes verdes passaram por todas as pessoas ali presentes pela milionésima vez. A plateia do local já a encarava demonstrando preocupação. “Será que estaria passando mal?”, alguns se perguntavam. Porém a bela jovem de cabelos curtos e cor de fogo, trajando uma simples calça jeans e uma blusa frente única rosa, não se importava.

Eles tinham prometido que cantariam aquela música juntos, naquele local, naquele dia e com aquelas pessoas.

A música deles, o local onde tinham se conhecido, na data da partida dele depois de três anos e com os amigos que sempre estiveram com eles.

E por que ele não aparecia? Por que? POR QUE?

Por que, Sam?

– Claire… – Tammy, uma de suas melhores amigas, sussurrou. Claire tomou um susto, mas logo a encarou. – Talvez ele tenha se atrasado ou algo do tipo… Só não podemos esperar mais, já se passaram quase duas horas.

Tammy tinha razão.

Seu coração doeria durante toda a performance, tinha certeza. Ainda assim, cumpriria com a sua palavra. Do contrário, seria uma falta de consideração com aquelas pessoas que tinham ido especialmente àquele barzinho para vê-la cantar com a sua banda.

Buscou pelo seu amado na plateia mais uma vez e nada. Pelo menos tinha encontrado os olhares encorajadores de seus amigos entre as pessoas. Ela agradeceu profundamente por aquele simples gesto de Irene, Hannah e Nate.

Virou-se para Tammy e os restantes integrantes da banda. Fez um OK com a mão esquerda. Chegara a hora de começarem.

– Quer cantar sozinha? – Noah, o namorado de Tammy e guitarrista da banda, perguntou para Claire.

Ela pensou um pouco. Tinha sido com ele que havia ensaiado por todo o tempo que havia passado. Os vocais dele eram bons, não podia negar. Ainda assim, ela preferia fazer aquilo sozinha.

Noah entendeu a resposta e voltou para o seu posto.

As luzes se apagaram.

E a música começou.

Ninety miles outside Chicago. (Noventa milhas fora de Chicago)
Can’t stop driving, I don’t know why. (Não consigo parar de dirigir. Não sei o por quê)
Too many questions, I need an answer. (Tantas perguntas, eu quero uma resposta)
Two years later, you’re still on my mind. (Dois anos depois, você ainda está na minha memória).

Não teve como evitar. Os olhos dela se encheram de lágrimas ao cantar aquela parte da música. Falava tanto sobre os dois.

Ah, Samuel! Aquele rapaz sério de cabelos bagunçados e olhos ônix conquistara seu coração de primeira.

Ela o tinha visto pela primeira vez naquele barzinho simplório da cidade, há poucas milhas da grandiosa Chicago. Era novo por ali, acabara de chegar e passaria apenas uma temporada. Traçava seus planos adolescentes enquanto saboreava um café.

Na segunda vez, eles se encontraram na escola. Ele concluiria o quarto ano da High School lá. Foi aí que se tornaram amigos e o amor, apenas uma consequência.

E, então, veio a despedida. Como fora dolorosa! Mas ele tinha prometido que voltaria em três anos no mesmo dia de sua partida e eles cantariam a mesma música que consagrara a formatura deles.

E agora, três anos depois, ela estava ali, como prometido. Mas ele não…

Deveria ter se esquecido dela. Los Angeles era repleta de hot chicks. Com certeza, ele estava agora por aí, com outra rindo de uma certa garota com quem tinha feito uma promessa idiota.

Um pensamento muito realista para aquela situação que tinha prometido ser tão romântica.

Angustiada com tudo, Claire respirou fundo para começar a segunda parte.

Mas foi surpreendida por alguém que começou a cantá-la cobrindo a sua voz.

Whatever happened to Amelia Erhart?(O que aconteceu com Amelia Erhart?)
Who holds the stars up in the sky? (Quem segura as estrelas lá no céu?)
Is true love just once in a lifetime? (O amor verdadeiro acontece na vida uma única vez?)

A surpresa foi geral. Atingiu principalmente Claire, obviamente. Quem estava cantando? Não conseguia identificar ninguém a sua frente.

No impulso, segurou a emoção e seguiu cantando junto com a voz desconhecida:

Did the captain of the Titanic cry? (Terá que o capitão do Titanic chorado?)

Ohh…

Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
If love can move a mountain? (Se o amor pode mover uma montanha?)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why the sky is blue? (Por que o céu é azul)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why I wasn’t meant for you? (Por que não fui feito para você?)

Claire e o desconhecido cantaram o refrão num clima estranho. Ninguém da banda conseguia identificar da onde vinha voz. E o dono da voz cantava com grande serenidade.

Finalmente as portas do bar se abriram, revelando uma pessoa segurando um microfone. E as lágrimas até então presas rolaram na face de Claire.

Ali estava Sam.

Does anybody know the way to atlantis?(Alguém sabe o caminho para Atlântida?)
Or what the wind says when she cries?(Ou o que o vento diz quando chora?)
I’m speeding by the place that I met you. (Eu estou passando pelo lugar que eu te conheci)
For the ninety-seventh time… (pela nonagésima sétima vez…)

Tonight…(esta noite)

E naquela noite tudo parecia um sonho.

Claire estava tão entorpecida que, por um tempo, não conseguia se mexer. Continuou apenas parada vendo seu amado andando pelas mesas do bar para chegar até ela no palco.

Ele só tinha ficado mais maravilhoso… O cabelo embaraçado, os olhos ônix e até o jeito sério continuavam os mesmos, só que agora mais adultos. E ainda por cima ele estava usando o colar que ela o tinha presenteado na despedida combinando com uma simples camisa preta e uma calça jeans.

Samuel também estava maravilhado com a mulher que Claire tinha se tornado. Ela estava uma graça, sem saber o que fazer. Queria abraçá-la e beijá-la logo, mas se conteve. Sabia o quanto aquele momento significaria para os dois no futuro.

Tornando tudo mais mágico, como um príncipe, ele estendeu a mão para ela, convidando-a para o meio do salão.

Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
If love can move a mountain? (Se o amor pode mover uma montanha?)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why the sky is blue? (Por que o céu é azul)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why I wasn’t meant for you? (Por que por que eu não fui feito para você?)

Quando as mãos se encontraram e ambos esbanjaram um sorriso, as pessoas ali presentes entenderam o que estava acontecendo. Imediatamente, as mesas do meio foram empurradas para dar passagem ao casal.

O mais engraçado foi que os dois estavam tão compenetrados neles próprios que nem perceberam. Apenas se dirigiram ao centro e continuaram seu espetáculo sem tirarem os olhos um do outro.

Yeah, yeah, yeah, yeah…

Someday we’ll know,(Algum dia saberemos)
Why Sampson loved Delilah?(Por que Sansão amou Dalila?)
One day I’ll go (Um dia eu irei)
Dancing on the moon (dançar na lua)
Someday you’ll know (Algum dia você saberá)
That I was the one for you… (Que eu era o único pra você)

Interpretaram e até dançaram com a música. Estavam verdadeiramente felizes com o reencontro. E era tudo tão contagiante que todos estavam curtindo o momento deles.

De repente, Sasuke puxou Sakura para si. Queria cantar só para ela. Sem contar que já não conseguia mais se segurar.

I bought a ticket to the end of the rainbow (Eu comprei um ingresso para o fim do arco-íris)
Watch the stars crash in the sea (Assista a estrelas baterem no mar)
If I could ask God just one question (Se eu pudesse fazer apenas uma pergunta para Deus)
Why aren’t you here with me?… (Por que você não está aqui comigo?)

Tonight… (Esta noite)

Só foi a bridge acabar, Samuel tomou os lábios de Claire. O gesto arrancou palmas de todos no mesmo instante. Claire se espantou no começo, mas logo o correspondeu. Afinal, tinha esperado três anos para sentir os lábios dele novamente.

Nisso, a pista se encheu de casais com a música ao fundo.

Não querendo estragar a cena, Gabriel, o baixista, se aproximou de Noah e sugeriu algo. Noah concordou e chamou Tammy para o palco. Os dois assumiriam os microfones e iniciaram novamente a música, para prolongar ainda mais o momento.

Samuel e Claire continuaram se beijando. Não se soltariam se o ar não tivesse lhes faltado. Aproveitaram a deixa para se declararem.

– Por um instante eu pensei que você tinha me esquecido – Claire desabafou.

– Está aí uma coisa que, nem se quisesse, eu conseguiria fazer – Samuel respondeu tirando uma mecha do cabelo que estava sob os lábios da amada. – Eu te amo.

– Eu também! – ela exclamou, abraçando-o forte. – O nosso amor será para sempre, não é?

– Sim… e nós sabemos.

Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
If love can move a mountain? (Se o amor pode mover uma montanha?)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why the sky is blue? (Por que o céu é azul)
Someday we’ll know, (Algum dia saberemos)
Why I wasn’t meant for you? (Por que eu não fui feito para você?)

Someday we’ll know,(Algum dia saberemos)
Why Sampson loved Delilah?
(Por que Sansão amou Dalila?)
One day I’ll go (Um dia eu irei)
Dancing on the moon (dançar na lua)
Someday you’ll know (Algum dia você saberá)
That I was the one for you… (Que eu era o único pra você)

Fim?

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Garotos

O que você está prestes a ler era um(a) fanfic. A versão original de 2005 pode ser conferida aqui (assim como os meus erros ortográficos). Sempre gostei de uma modalidade que nomeei de “Conto Musicado”. A partir de uma música, criava uma história. Simples, rápido e singelo. Qual é a canção que te inspirou desta vez? Garotos do cantor Leoni. Verdade seja dita: que menina não se sente especial com essa letra?

Sobre a grama verde do campus, lá estava ele debruçado e observando as nuvens como de costume. Alguns fios do cabelo castanho claro repousavam em seu rosto e os óculos de grau jaziam ao lado. Gostava daquele lugar. O lugar perfeito para apenas pensar, onde nada poderia interrompe-lo. Fechou os olhos curtindo aquela tranquilidade que tanto idolatrava e logo os abriu para admirar novamente com o azul do céu. Só que ele se deparou com outro azul.

“Ei, Léo!” A loira pertencente dos mais belos olhos azuis o chamou.

“Júlia…”

Seus olhos e seus olhares

Milhares de tentações

Léo se sentou para que ficassem lado a lado.

“O que faz aqui?” ele quis saber.

“Por que a pergunta? Não queria me ver?”

“Não! Não é isso…” o jovem não sabia o que responder, só tinha perguntado por perguntar. “Ah, mas que problema!” Ele terminou desconsertado.

Júlia abafou a risada com as mãos, deixando Léo mais confuso.

“Bobo… só estava brincando!”

Meninas são tão mulheres

Seus truques e confusões

Léo, mesmo sem entender direito, resolveu deixar aquilo de lado.

“E então, o que estava fazendo?” a loira perguntou.

“O de sempre…”

“Ah claro, as nuvens…” ela concluiu.

O silêncio caiu entre os dois. Léo pode ver que Júlia agora estava concentrada no céu.

Júlia…

Estava linda como sempre. O cabelo preso balançava no mesmo ritmo da brisa de outono que passava levemente deixando nela um ar angelical. As belas formas se destacavam na posição estava sentada, tudo era perfeitamente delineado. Aí ela já não era tão anjo assim. Ela o encantava, não tinha como negar. Era sempre assim quando ele a via; ficava perdido e meio seus desejos pela companheira de universidade.

Se espalham pelos pêlos

Boca e cabelo

Peitos e poses e apelo

Me agarram pelas pernas

Certas mulheres como você

Me levam sempre onde querem

“Léo” ela o chamou novamente, cortando o silêncio. “O que você tanto gosta nas nuvens?”

“Bem…” nunca tinha pensando muito sobre isso. “As nuvens. Como dizer? De certa forma, elas me passam paz que eu sempre quis.”

“Nossa! Nunca pensei que ouviria palavras assim vindas da sua boca!” ela exclamou.

“O que você quer dizer com isso?”

Ela o encarou rapidamente e depois balançou a cabeça.

“Esquece” ela respondeu.

Como era enigmática. Ele, o melhor de seu curso; possuidor de um QI de 200, não conseguia decifrá-la. Perto dela, ele não se sentia inteligente. Perto dela, ele se sentia apenas um menino que mal sabia o bê-á-bá.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher…

São só garotos

Júlia não demorou a notar que Léo a observava. Abriu um belo sorriso para ele. Aquele sorriso cheio de charme que só ela sabia dar. Estava se tornando irresistível.

Seus dentes e seus sorrisos

Mastigam meu corpo e juízo

Estava tomando conta dele. Não conseguia em mais pensar nada senão ela. Apenas seu olhar fazia com que todo o pensamento lógico se dissipasse. O raciocínio já não trabalhava. Naquele momento ele só queria uma coisa.

Queria beijá-la.

Devoram os meus sentidos

E eu já não me importo com isso

Sem ligar para as consequências, Léo pousou um das mãos na face da amada e, com a outra, a puxou para mais perto de si. Estavam muito próximos. Não desgrudavam os olhos um do outro. Por fim, já tomados pelo clima presente, o beijo começou.

Então são mãos e braços

Beijos e abraços

Pele, barriga e seus laços

São armadilhas

E eu não sei o que faço

Aqui de palhaço

Seguindo seus passos

Após um bom tempo, aquele gesto tinha acabado. E Léo havia recobrado a consciência.

“Desculpe Júlia, eu não…” ele tentou se desculpar.

“Sabia que você não ia resistir!”

Léo ficou surpreso com a afirmação. Aquilo tinha sido um jogo para ela? 

Ele nunca saberia.

“Vamos. Temos aula de estratégia de empresas agora” a loira disse, se levantando e estendendo a mão para ele. “Depois disso, você podia me chamar para comer em algum lugar, sei lá…”

“Certo…” ele concordou calmamente e passando um dos braços pelos ombros da garota.

Nada fazia sentido. O que não queria dizer que não era bom.

Garotas sempre seriam problemáticas para garotos.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão espertos

Perto de uma mulher…

São só garotos