Adole-essência: gente que não muda

A vida é engraçada. Fui ao aniversário de uma das minhas amigas mais queridas dos tempos de escola. Depois do Ensino Médio, nossos caminhos meio que se separaram. E agora ela vai se mudar para Moscou.

Tá, qual é a graça?

Não é bem a graça em si, mas a acho incrível o quanto a nossa relação nunca mudou. A gente se encontra e parece que entramos numa dimensão paralela onde o presente e o passado se misturam. Veja bem, a Thalita tem uma família, quatro filhos lindos e várias redes sociais para comandar. Eu, bom, vocês me conhecem. Juntas, somos a emozinha e a otakinha de anos atrás, com a consciência do agora. Bem louco.

Daí estávamos relembrando histórias da adolescência. Chegamos a conclusão de que temos um acervo de momentos incríveis. Não são viagens sensacionais, festas bombásticas ou rolos emocionantes. Nos divertíamos muito e, juro, nunca usamos nenhum tipo de droga.

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Rodrigo e Thalita vão me matar

Carta de amor

Resolvemos criar um e-mail fake para mandar mensagens de amor para o Rodrigo. A assinatura era “Mariposa Apaixonada”. Ele descobriu, ficou com raiva e dei um tapa na cara dele no meio do shopping. Até hoje não entendo o porquê disso. Vim compartilhar alguns com vocês:

A*Teens

Eu, Thalita, Marré e Priscila adorávamos o grupo inspirado no Abba. Quando íamos para o boliche, ficávamos dançando na frente do telão quando os clipes passavam. Coisas Pop stars!

Clipe da Britney Spears

Por alguma razão, eu e Priscila achávamos que o prédio da Procuradoria Geral da República seria um ótimo local para gravar um clipe para MTV. Lombra.

Filme de artes

O roteiro original era da Maria Eugênia. Um alienígena rockstar que tinha uma bolsa no lugar do nariz. Claro que não foi possível reproduzir tamanha ideia. Na verdade, nem lembro o resto. O making off, porém, tem cenas incríveis de risadas, o ator principal no telhado e gente babando.

Incêndio

Liguei para Thalita, Marré atende. “Daqui a pouco a gente te liga porque botamos fogo na parede”, ela disse. Soube mais tarde que elas estavam fazendo uma simpatia de Revista Witch de dia Dia dos Namorados. Um perfuminho na vela não faria mal, né? A parede que o diga.

Patinete

Enquanto a Thalita conversa com um amigo, tive a brilhante ideia de andar de patinete na rua esburacada. Eis que ela escuta um baque e me encontra jogada no chão com a minha blusa de coração. Detalhe que ela estava dizendo que eu não seria “tonta o suficiente para cair.”

Fumo

Outro trabalho de artes: uma instalação de favela. Alguém levou orégano e a galera resolveu tentar fumar de fato. Cheiro de pizza no ar.

Mais um filme, dessa vez de biologia. História de uma menina que fica grávida, enquanto estava perdida nas drogas. Inalei polvilho para deixar tudo mais verdadeiro. Foi bem ruim.

Drogas

Kodama, Sakura Card Captors, Simple Plan e vídeos do Guilherme Zaiden.

FOTOLOG

Não, não vou fazer isso com os meus amigos! HAHAHAH! Já teve muita exposição para um dia.

O tempo passou, ainda somos os mesmos. Anunciaram um show do Evanescence para 2017. Os amigos ficaram mó empolgados. Dependendo do preço, até animo de ir para curtir a fase emo (que nunca tive, mas que vi meus amigos passarem por). Enquanto isso, na semana que vem, vamos ao boliche. Provavelmente novas memórias vão surgir. Certeza que a diversão é mais que garantida.

Diarinho: Relato de como me tornei uma alboranista

Há pouco mais de um mês estava me preparando para ir a um dos melhores shows da minha vida. Duas das minhas amigas já tinham partido para o teatro onde o espetáculo se daria. Até então, não entendia bem o porquê de saírem tão cedo. Os lugares eram marcados, não eram? Três horas depois eu as avistaria do setor de cadeiras. Dava pra ver que elas estavam empolgadas na primeira fila, de frente para o palco. Eu estava super animada também. Não é todo dia que você vai para um país estranho só para ver alguém cantar. Luzes se apagam, a banda começa a tocar e Pablo Alborán entra em cena. Gritos tomam conta da acústica. Sem perceber, eu era uma das que gritava também. Sem perceber, eu tinha virado uma fã de carteirinha do cara!

Tá. Quem é Pablo Alborán? Eu explico: Um cantor espanhol. Vai aí o último clipe dele para avaliação.

Tenho dois CDs. As músicas dele realmente me tocam e são ótimas para escutar no carro. E era só isso. Curtia a página dele no facebook por amizade. Participei de alguns projetos que o fã clube fez (até vídeos editei). Nunca imaginei que um dia me esforçaria para ir a um show dele. Os ventos mudaram de direção quando uma amiga resolveu morar em Santiago do Chile com o namorado. Minhas amigas decidiram visitá-la justamente na época que a Tour TERRAL (do novo CD) passaria pelo país. Pela farra e pela saudade, comprei o ingresso e a passagem.

E aí eu estava lá, naquela cadeira super apertada para um meu um metro de perna. Porém, eu não ligava. Pablo Alborán cantava, me embalava e encantava enquanto eu e o casal Brasil-Chile segurávamos a bandeira verde e amarela. No fim do show, eu era pura energia. “Vir até aqui valeu cada centavo”, pensava. Saímos do teatro Caupólican, desbravando um mar de mulheres e homens de todas as idades. O grupo se reencontrou. Abracei minhas amigas sem parar. Ríamos sem motivo. O show tinha sido incrível.

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“Vívela Vívela”

Depois da euforia veio a fome. Rumamos para um “shopping” de restaurantes chamado Pátio BellaVista. Só que não ficamos todos juntos. Ao encontrar o fã clube chileno, as amigas que tinham chegado mais cedo optaram por trocar experiências. Eram muitas meninas mesmo. Fiquei impressionada. Jantei com o casal amigo e depois seria a hora de dormir. Só que eu não dormi. As amigas estavam sem chave e fiquei de abrir a porta para elas. O portal do apartamento só foi atravessado lá pras cinco da matina. Entre sono que não se transformava no ato de dormir, escutei as duas narrarem que tinham aprendido muito com o fã clube chileno e estavam loucas para botar em prática com o fã clube brasileiro.

Foi nessa hora que percebi. Caramba, essa parada é séria mesmo.

Sabe? Eu super fã de uma boyband coreana que se chama 2PM duas da tarde. Participo da fanbase tupiniquim, escrevo versões para as músicas deles e acompanho quase tudo dos seis rapazes. Mas, né? Eles estão do outro lado do mundo. Realmente sonho em poder conhecê-los algum dia. Ainda assim é um sonho distante. Então não preciso me preocupar com a logística de me deslocar para os shows ou lidar com regras. Com o Pablo Alborán o esquema era outro.

No outro dia a sorte sorriu para mim: Tive a oportunidade de me encontrar com o cantor espanhol em pessoa.

Aliás, acabei ficando cara a cara com vários dos integrantes da banda também. Notei algo engraçado. Várias meninas pediam que eles autografassem seus CDs (do Pablo). Na minha cabeça aquilo não fazia muito sentido. Em compensação, alguns membros da banda usavam as fitinhas do Senhor do Bonfim que minhas amigas tinham passado a noite arrumando em pacotinhos super fofos. Fazia sentindo e tinha sido bem legal da parte deles.

Alguns minutos passam. Uma van branca estaciona quase na nossa frente. Dá pra ver que o Pablo está lá dentro. Todas ficam animadas. Primeiro sai um rapaz da produção. Ele avisa que o Pablo está muito cansado, que falará com todas, mas que só vai tirar uma foto do grupo. Concordamos.

Pablo Alborán sai do carro. Dá para ver que ele está muito cansado. Senti até um aperto no coração. Mesmo assim, ele cumprimenta cada uma de nós. Tira uma foto com o grupo. Despede-se. Por dentro não paro de gritar “CARACA MERMÃO, ACABEI DE ABRAÇAR O ALBORÁN”.

Mais tarde estaria numa reunião gigante entre as brasileiras e as chilenas. Eu só observava. Dali a dois dias, muitas de Santiago iriam para Viña del Mar para assegurar que tudo ocorresse bem por lá também. Elas eram como uma organização pronta não só para defender o trabalho do artista favorito, mas também para defender o bem-estar dele. Todo o estranhamento inicial tinha sido substituído por admiração.

De repente outra ficha cai para mim. Eu quero fazer parte daquela organização também. Quero que os brasileiros possam ter a mesma experiência que eu tive e que o Pablo também possa desfrutar o melhor do Brasil. Eu havia me convertido numa alboranista.

Nada de complexo de Elsa

Desde pequena eu tenho uma ideia fixa: me mudar do Brasil. Qual seria o destino? Não sei. Eu simplesmente sabia que precisava conhecer o mundo e viver lá fora. E, este ano, eu tinha estipulado para mim que só ficaria em Brasília por mais dois anos – o tempo de re-ajeitar os dentes, fazer a cirurgia ortognática e me recuperar. Depois disso, eu iria me mandar. Seria perfeito.

Só que aconteceu uma coisa engraçada. No último domingo, comentei esses meus planos de me mudar daqui. Pela primeira vez, eu tive consciência de que as palavras não saiam do meu coração. Como assim? Ora, ficou claro que tudo estava mais para um plano de fuga; eu buscava um ideal de liberdade. Observando agora, pergunto: o que seria a liberdade? Morar sozinha, andar com gringos e sobreviver? Viver num país desenvolvido? Isso é ser livre? Por que eu não posso me sentir livre neste exato momento?

“Por que eu não posso me sentir livre neste exato momento?”

Eu não vivo numa jaula. Tenho uma condição de vida que me permite viajar para o exterior uma vez ao ano e ainda visitar meus parentes no Rio e no Recife. Para me locomover, conto com o meu carro. Caramba, eu consigo me locomover com as minhas próprias pernas. A minha saúde… a minha saúde às vezes falha. Essa sim poderia ser considerada um carcereiro. Não posso tomar o tanto de café que gostaria porque tenho um problema no labirinto (que não é labirintite). Não posso comer muito doce; me dão enxaqueca. Quando era pequena, não pude correr do jeito que eu queria; a bronquite não deixava. Se eu digito muito, a LER ataca. Uso óculos. E, se eu não dormir direito, tudo que acabei de descrever pode vir a complicar. Complicado.

A minha saúde, porém, acabou me mostrando a verdadeira liberdade. Não vem dessa ideia de fazer tudo que quiser, na hora que quiser e do jeito que quiser. Não. Liberdade é estar vigilante. É saber os próprios limites para que eles não atrapalhem as metas. Acima de tudo, é cuidar de si. Quando eu cuido de mim e estou atenta tanto ao meu mundo interno quanto externo. Consigo me fixar no presente. Deixar o passado para trás e não se preocupar tanto com o futuro também é liberdade.

Daí eu tentei ver o futuro no domingo que passou. “Eu quero ser uma escritora famosa”, pensei. Apesar de ser professora de inglês e ter diplomas internacionais, a minha língua é o português. Eu escrevo em português, caramba. E, antes de ser reconhecida por boa parte da Terra (eu sou dessas, sonho alto), preciso me firmar aqui no Brasil. Para que tanta pressa de morar no exterior? O que vou fazer? Qual é o meu objetivo? Nenhum? Nossa, nenhum.

Chegar a essa conclusão fez com que eu me sentisse mais livre. Por que? Porque olhar para dentro, entender o que se passa e estar bem com isso também é uma forma de liberdade.

Na fila eterna da Forever 21

No dia 18/10, uma loja da rede americana Forever 21 foi aberta aqui, em Brasília. Disseram que, nesse dia de inauguração, a fila de espera para conseguir entrar no lugar era de três horas, no mínimo. Vi algumas fotos e pensei: sério que tem gente que se sujeita a ficar parada todo esse tempo sem fazer nada? E as costas? Ai que dor. Só que além dessa reclamação, veio a curiosidade: será que os produtos valem tanto a pena quanto dizem? Decidi que iria averiguar.

Combinei, então, com uma amiga para irmos juntas na quinta-feira (24/10). Chegaríamos às 10:15 e iríamos direto para a loja, achando que lotaria mais tarde. Só que, no dia, atrasamos meia hora. Fomos direto para a loja. Já havia uma fila de doze cotovelos para entrar. Ficamos por três minutos e saímos. Não valia a pena.

Eu me senti desafiada. “A fila não iria me vencer! Na sexta-feira não trabalho e madrugaria no shopping para entrar na Forever 21!”, disse para mim mesma.

Daí no outro dia acabei derrotada de novo. Eu errei o caminho para o shopping e acabei aparecendo lá às 9:57. Quando saí do carro, vi adolescentes correndo para a entrada. Acelerei o passo. Às dez em ponto já tinha uma fila enorme entrando na loja! Não consegui entrar na primeira leva, mas era décima da fila. Com certeza eu estaria lá dentro em breve.

Perto do segurança que controlava a entrada da mulherada, pude ouvir dados e histórias bem interessantes. Duzentas pessoas podiam entrar na loja quando ela abria. Vinte minutos depois, mais dez ou vinte eram liberadas também. Mulhores com carrinho de bebê tinham passe livre e também tinham direito a um acompanhante. Não me surpreendi quando duas mamães tentaram entrar com quatro acompanhantes. Olhei para trás. A fila já tinha quatro cotovelos. O segurança disse que estava vazio comparado aos outros dias.

Meu Deus.

Finalmente entrei. Ouvi alguém dizendo que eram permitidas apenas seis peças no provador de roupa (e não podia pedir para a vendedora trocar). Assim, catei logo o que precisaria provar e corri para o canto provadores. Adivinhem o que encontrei? Mais fila lógico. Umas doze pessoas estavam na minha frente. Não desanimei, mas fiquei morrendo de raiva de três meninas que furaram fila na minha frente e ainda discutiam como conseguiriam passar com sete peças. Eita, jeitinho brasileiro.

Enquanto isso, uma “madame” estava reclamando alto que não iria enfrentar a fila. Ficou reclamando porque ninguém abriu caminho para ela.

Quando saí do provador, a fila já estava circulando metade da loja. Nem a pau que eu entraria nela de novo. Dei mais uma olhada no interior. Era tanta informação e gente que já estava ficando tonta. Vi uma menina de saia provando um short por de baixo da saia, achei criativo. Um rapaz da loja a reprimiu. É. Realmente era injusto com as pessoas que ainda estavam esperando pra entrar no provador.

Então, chegou a hora de pagar. Claro que tinha mais fila. A pior de todas porque a minha paciência havia se extinguido. Na minha frente, uma menina magrela usou a mesma estratégia de provar as roupas no meio da loja. Outra pessoa chamou a atenção dela. A magrela deu de ombros e disse que não se importava. Um exemplo de pessoa. Pior foi ver pessoas dizendo que fariam o mesmo na próxima. Aiai.

Por fim saí da loja. Fiquei duas horas no inferninho. Optei por comprar roupas mais neutras porque pressinto que todo mundo vai sair com as mesmas peças nas próximas semanas. Os preços realmente são bons, então valeu a pena esperar nas filas… um pouco e se você estiver com tempo. Só não apreciei ficar presenciando a falta de senso das pessoas. Se elas fazem o que fizeram neste contexto que apresentei, imagina o que não fazem na vida afora?