Ensaio reflexivo sobre um celular quebrado

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Sumi das redes sociais? Pois é… uma semana parece um século na era digital. Isso é o que acontece quando o seu celular cai, trinca a tela toda e você precisa fazer uma “troca paga” para obter um novo. Eu juro que, se eu pudesse voltar no tempo, não compraria nada da Apple – uma vez que você se acostuma com o sistema, é difícil mudar para outro.

Seria nada de WhatsApp, Telegram e Instagram (porque inventei de colocar aquela dupla verificação nos ajustes) por, pelo menos, sete dias. Restou o Facebook, mas apenas quando conseguia acesso a internet no meu tablet. Ainda bem que tinha o celular do editora, que literalmente só faz ligações. Onde já se viu?

Sofri?

Sofri.

Porém, foi bem mais tranquilo do que imaginei.

Senti falta de poder acessar o meu e-mail a qualquer hora ou dar uma olhada no dicionário de alemão. As minhas pesquisas fora de hora (sobre a capital do Butão ou passagem de livro até “qual será a idade daquele ator coreano bonitinho”) precisaram ser adiadas também. A pior parte: ter que LIGAR para as pessoas. Ainda assim, não era o fim do mundo. Aliás, permiti-me ver as vantagens do “detox”.

Calma. Não entrei no movimento das pessoas que falam mal dos telefones. Eu AMO meu iPhone. É meu instrumento de trabalho, divulgação, lazer, leitura e máquina fotográfica. Ah, dá para fazer ligações também, né? RS

Só que percebi que não estava o utilizando da melhor forma. O tal lado negro da força, sabe?

No primeiro dia sem celular, várias vezes me peguei buscando o aparelho quando “não tinha nada para fazer”; pegando o elevador, esperando no sinal de trânsito, andando de um lugar para outro. Isso sem contar a insegurança de não poder se comunicar por mensagem e confirmar o compromisso com um cliente, por exemplo. Sorte que sou boa de direção e o Waze só me serve em situações extremamente desconhecidas. Do contrário, a insegurança seria ainda maior.

Daí no segundo dia, confiei. Se o autor atrasar, lerei um livro. Se o sinal demorar seis minutos (caso real) para abrir, eu simplesmente irei esperar. O tempo no elevador nem é tão grande assim.

E veio o terceiro. Impressionante. Fazia tempo que eu não rendia tanto num dia. Li e produzi muito bem. Triste constatar que sim, o tempo que gastava no celular estava prejudicando o trabalho e o estudo. Tanto que, quando o quarto dia chegou, decidi que os próximos dias seriam de produção total. Estava empolgada!

Foi quando recebi uma ligação da autorizada dizendo que o meu novo aparelho havia chegado. Sete dias se tornaram três e meio! Claro que não pensei duas vezes e fui correndo buscar o meu bebê. Na loja consegui ainda carregar um tico de bateria. Voltei para casa feliz, mas não completamente.

Acreditam que já no caminho de volta senti algumas “perturbações”? Esperando pelo sinal verde, meu coração deu uma aceleradinha e batei uma necessidade de comunicação, sei lá. Precisava conectar logo o celular ao meu computador para baixar o backup.

Sério, rolou uma preocupação forte.

Tanto que decidi que só voltaria a ser ativa nas redes sociais na segunda-feira e faria alguns experimentos. Por exemplo, deixar celular longe da minha cama. Notei que, por me deitar com ele por perto, acabo dormindo mais tarde e, ao acordar, enrolo para levantar. O despertador do tablet resolve (por incrível que pareça, não perco tanto tempo com ele).

Um passo de cada vez, né?

LAUDO: Marina Oliveira apresenta vício leve-moderado em smartphones e internet. Alguns dias foram suficientes para que a paciente tomasse consciência do seu problema e resolvesse mudar sua conduta. Recomenda-se acompanhamento periódico. 

 

Porque não vou para Bienal de SP

Título sensacionalista.

Keine Panik! Não vou fazer textão criticando o maior evento literário do Brasil ou dar um depoimento pesado sobre a minha vida. Na verdade, muita coisa boa tem acontecido!

Quem me acompanha, sabe que fui uma das curadoras da 32a Feira do Livro de Brasília. Muitas primeiras vezes; organizar, delegar e participar ativamente de um evento literário. Aprendi tanto! Apesar de ter quebrado a cara em alguns momentos, o saldo foi muito positivo. Ganhei uma bela bagagem de experiência e vários amigos e contatos interessantes em 10 dias intensos.

Daí depois tive tempo para descansar?

Neca de pitibiribas.

Já na semana seguinte comecei uma nova maratona. Logo ganhei uma nova rotina e TANDANDAN um novo emprego!!!

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Pois é, sai a Marina professora e entra a Marina editora. E-D-I-T-O-R-A. Confesso que ainda não me acostumei com o título, mas já estou exercendo a posição e dando o meu melhor. Como isso aconteceu? Resumidamente, o meu editor abriu uma nova editora e me chamou para trabalhar com ele. Projetos lindos têm aparecido; a bagagem literária só cresce. Estou louca para contar mais, porém vou esperar o site da Trampolim ficar pronto.

Tá. Daí eu sou escritora e trabalho numa editora, por que diabos não posso ir para Bienal? Não seria o local ideal para estar no momento?

Sim, não e talvez.

A verdade é que até chegamos a bolar (Trampolim) um plano de ida, mas acabou não dando certo. Eu poderia ir sozinha, mas preferi ficar aqui em Brasília, adiantar trabalhos e viajar tranquila no dia 11/09. Será uma viagem especial para celebrar a minha recuperação, a do meu pai (sim, ele também fez uma cirurgia) e presentear a mãe maravilhosa que tenho, que cuidou da gente com muito carinho. Quem quiser saber para onde vou, só me seguir duplamente no Instagram (@aparedebrancadomeuquarto e @marinoli22). 😉

Então é isso. Não vou para Bienal de São Paulo. Fiquei tristinha quando alguns leitores vieram me procurar empolgados, perguntando se conseguiriam me conhecer pessoalmente. Não vai ser DESTA vez. Com certeza, outras virão!

Na fila eterna da Forever 21

No dia 18/10, uma loja da rede americana Forever 21 foi aberta aqui, em Brasília. Disseram que, nesse dia de inauguração, a fila de espera para conseguir entrar no lugar era de três horas, no mínimo. Vi algumas fotos e pensei: sério que tem gente que se sujeita a ficar parada todo esse tempo sem fazer nada? E as costas? Ai que dor. Só que além dessa reclamação, veio a curiosidade: será que os produtos valem tanto a pena quanto dizem? Decidi que iria averiguar.

Combinei, então, com uma amiga para irmos juntas na quinta-feira (24/10). Chegaríamos às 10:15 e iríamos direto para a loja, achando que lotaria mais tarde. Só que, no dia, atrasamos meia hora. Fomos direto para a loja. Já havia uma fila de doze cotovelos para entrar. Ficamos por três minutos e saímos. Não valia a pena.

Eu me senti desafiada. “A fila não iria me vencer! Na sexta-feira não trabalho e madrugaria no shopping para entrar na Forever 21!”, disse para mim mesma.

Daí no outro dia acabei derrotada de novo. Eu errei o caminho para o shopping e acabei aparecendo lá às 9:57. Quando saí do carro, vi adolescentes correndo para a entrada. Acelerei o passo. Às dez em ponto já tinha uma fila enorme entrando na loja! Não consegui entrar na primeira leva, mas era décima da fila. Com certeza eu estaria lá dentro em breve.

Perto do segurança que controlava a entrada da mulherada, pude ouvir dados e histórias bem interessantes. Duzentas pessoas podiam entrar na loja quando ela abria. Vinte minutos depois, mais dez ou vinte eram liberadas também. Mulhores com carrinho de bebê tinham passe livre e também tinham direito a um acompanhante. Não me surpreendi quando duas mamães tentaram entrar com quatro acompanhantes. Olhei para trás. A fila já tinha quatro cotovelos. O segurança disse que estava vazio comparado aos outros dias.

Meu Deus.

Finalmente entrei. Ouvi alguém dizendo que eram permitidas apenas seis peças no provador de roupa (e não podia pedir para a vendedora trocar). Assim, catei logo o que precisaria provar e corri para o canto provadores. Adivinhem o que encontrei? Mais fila lógico. Umas doze pessoas estavam na minha frente. Não desanimei, mas fiquei morrendo de raiva de três meninas que furaram fila na minha frente e ainda discutiam como conseguiriam passar com sete peças. Eita, jeitinho brasileiro.

Enquanto isso, uma “madame” estava reclamando alto que não iria enfrentar a fila. Ficou reclamando porque ninguém abriu caminho para ela.

Quando saí do provador, a fila já estava circulando metade da loja. Nem a pau que eu entraria nela de novo. Dei mais uma olhada no interior. Era tanta informação e gente que já estava ficando tonta. Vi uma menina de saia provando um short por de baixo da saia, achei criativo. Um rapaz da loja a reprimiu. É. Realmente era injusto com as pessoas que ainda estavam esperando pra entrar no provador.

Então, chegou a hora de pagar. Claro que tinha mais fila. A pior de todas porque a minha paciência havia se extinguido. Na minha frente, uma menina magrela usou a mesma estratégia de provar as roupas no meio da loja. Outra pessoa chamou a atenção dela. A magrela deu de ombros e disse que não se importava. Um exemplo de pessoa. Pior foi ver pessoas dizendo que fariam o mesmo na próxima. Aiai.

Por fim saí da loja. Fiquei duas horas no inferninho. Optei por comprar roupas mais neutras porque pressinto que todo mundo vai sair com as mesmas peças nas próximas semanas. Os preços realmente são bons, então valeu a pena esperar nas filas… um pouco e se você estiver com tempo. Só não apreciei ficar presenciando a falta de senso das pessoas. Se elas fazem o que fizeram neste contexto que apresentei, imagina o que não fazem na vida afora?

Diarinho: Cansaço gratificante

Eu estou cansada.

Sério, estou cansada como há muito tempo não me sentia. Durante a semana tenho acordado cedo todos os dias, ensinado no curso intensivo e feito todas as outras coisas com as quais estou envolvida. O Indy (meu cachorro) não está muito bem do fígado, então tenho dado uma atenção extra ele. Daí também têm as aulas de jazz e de pilates somados a alguns outros exercícios que insisto em arrumar.  Compromissos com os amigos.Provas para corrigir, aulas para preparar e até substituir. Subtraindo tudo, sobram as horas para dormir. Só que eu nunca durmo direito.

É.

No entanto, e ainda bem, eu sinto apenas o meu físico esgotado. Minha mente e meu espírito estão mais fortes do que nunca. Estou bem comigo mesma, confiante e sábia. Isso porque me conectei bastante com o propósito do meu coração. Qual? Aquele que comentei lá no primeiro post do blog, no qual eu disse que queria compartilhar as palavras dele e tal. Compartilhar com quem? Com o mundo e, agora, especialmente com os jovens.

Desde quarta-feira estou imersa na assistência do Insight Adolescentes. Um trabalho voluntário; eu escolhi estar dentro do seminário dando o melhor de mim para apoiar no crescimento pessoal de 35 meninos e meninas de 12 a 17 anos de idade. E querem saber? Foi muito lindo presenciar a mudança na feição deles ao longo dos dias e, principalmente, ver o sorriso de cada um na noite de domingo. E, enquanto os observava ao longo das dinâmicas e dos compartilhares, algo dentre de mim se agitava e dizia “é a eles, é a eles que eu quero inspirar com as minhas palavras”.

Para isso, preciso terminar logo meu livro, né? Acreditam que ainda estou empacada na metade do último capítulo? Não que eu tenha tido muito tempo neste mês de Julho, mas estou ciente de que também não me esforcei para adiantar logo o trabalho. A boa notícia é que semana que vem terei uma semana de férias de verdade. Talvez eu dê uma passadinha no Rio de Janeiro para ver os meus avós, mas já adianto que isso não vai ser desculpa para concluir “A Parede Branca do Meu Quarto”. Afinal, o livro faz parte do meu propósito, não é? E eu realmente quero viver no meu propósito ao longo dessa minha breve existência aqui no planeta Terra.

Para terminar, vou deixar aqui uma foto do grupo de jovens do Insight Adolescentes. Vocês me cativaram. Sou muito grata por isso.

Pessoas incríveis num seminário incrível
Pessoas incríveis num seminário incrível

Diarinho: Mente Maluca

Se você acompanha o blog há um tempo, já sabe que eu estou escrevendo dois projetos ao mesmo tempo. Eu sei, eu sei. Isso é loucura porque eu deveria me focar num só, não é? Posso dizer que concordaria, mas a minha mente é muito “bipolar” (não no sentido emocional) e muda de “preferências” constantemente. Exemplo: Uma semana só quero saber de textos filosóficos, outra não estou com vontade de ler nada do tipo. Às vezes estou com maior gás para leitura e leio um livro em menos de três dias. Daí na semana seguinte só quero saber de ver seriados.

Juro. É o que acontece comigo.

Mas bem, eu não ligava essa versatilidade com essa maluquice de tocar dois projetos ao mesmo tempo. Só fui perceber o quanto isso combinava comigo na última quarta-feira.

Geralmente eu trabalho à tarde. Saio de casa, escolho um dos meus três cafés preferidos da redondeza e fico escrevendo direto até umas 19:00. Só que esses dias essa rotina meio que se quebrou. Nada de crises existenciais dessa vez. Foi uma infecção alimentar que me deixou de cama, sem energia para fazer qualquer coisa que fosse. Quarta-feira, me senti um pouco melhor e fui a luta. Só que quando eu me sentei no café e abri o arquivo do Projeto Lene, nada saía.

Sério. Entrei em desespero, julgamento e tudo que tinha direito. Caramba. Era ele que eu queria terminar até o fim do ano; o Projeto Lene era a minha prioridade. Pensei em fechar o computador e voltar para casa novamente. Ainda bem que não o fiz, porque resolvi abrir o documento do Projeto Sem Título Ainda.

E não é que a coisa fluiu? Terminei um capítulo, comecei outro. Foi uma maravilha. Desapeguei do Projeto Lene de novo. Aliás, decidi desapegar desse foco que todos insistem que eu deva ter. Estou escrevendo os dois livros ao mesmo tempo e ponto. Quando me sentar para escrever, eu escrevo o que estiver mais fresco na minha cabeça. Vou aproveitar enquanto posso fazer isso, né? Afinal, quando eu me tornar uma autora conhecida, prazos e cobranças com determinados projetos vão chegar. =D

Engraçado que eu nunca tinha percebido tão bem essas oscilações de “preferência mental” (Tá certo isso? Hahaha). Quer dizer, eu sabia. Só nunca tinha visto isso como uma vantagem. Vantagem em poder ter essa mudança e não me preocupar por não estar produzindo nada. Porque era isso que acontecia.

No fundo, a meta de terminar os dois não se desfaz. Quando a intenção é clara, o método vem. Mesmo que seja “bipolar” desse jeito.

Diarinho: Aterrissagem

Demorou, mas finalmente consegui colocar os pés no chão de novo.

Fui assistente de um seminário de auto-conhecimento, o Insight, por cinco dias e acabei entrando no processo também. Já falei aqui o quanto dou valor a isso. E, vou confessar, é um pouco viciante. Quanto mais você descobre, mas você vê o quanto precisa melhorar. Às vezes você pode mergulhar tão fundo que demora um pouco para voltar a superfície. Eu estava aí, tentando sair da água.

Daí eu saí da água e comecei a voar. A vida é muito louca. Comecei a viajar na maionese e que, bem, eu acho bem mais confortável do que ficar lá no fundo. Só que não pode ser o 8 ou 80, né? Precisa-se encontrar o equilíbrio; vivendo na minha realidade.

Ontem tive a grata oportunidade de visitar um instituto de crianças carentes aqui de Brasília. Com a ajuda do mesmo grupo do seminário que citei lá em cima, passei duas horas muito bacanas brincando e lanchando com a galerinha. Foi um momento mágico; ele que me puxou para a terra. Se existe algo que me coloca no prumo é serviço, caridade e amor. Afinal, são esses tipos de ações que achamos que estamos proporcionando algo para alguém e, na verdade, é para nós mesmos.

Então, agora, c-h-e-g-u-e-i! Blog volta, livros voltam. Aterrissei para pegar o voo dentro da minha imaginação, aquele que sempre me leva de volta para o caminho da escrita.

PS: Mudei a foto do gravatar para que vocês possam ver minha carinha de fato como ela é. =)