OPEP: Mamíferos, jogos vorazes e muita música

“O Papa é Pop” hoje está bem recheado! Tem música, seriado, filme e um vídeo muito louco para comentar e indicar.

Zootopia

A nova animação da Disney é simplesmente PERFEITA. Eu tinha achado os trailers engraçadinhos, mas até então não tinha entendido direito qual seria o tema tratado. Pois bem, a coelhinha Judy quer ser uma policial numa sociedade de animais mamíferos que deixaram o sistema de predador e presa pra trás. Porém nenhum coelho (ou animal de pequeno porte) jamais tinha conquistado esta posição. Cabe a Judy quebrar os padrões e seguir o seu sonho, ensinando as criancinhas a persistirem sempre naquilo que almejam mesmo quando todo o mundo duvide de você. Meio cliché, né? Sim. SÓ QUE Zootopia é muito mais do que isso.

ZootopiaPredadores e presa. Ricos e plebeus. Governantes e governados. Valentões e vítimas.  Maioria e minorias. Zootopia é isso, uma baita alegoria do nosso mundo. Fala de preconceitos, papéis que supostamente devemos assumir e até luta de poder (sério, tem uma parte que é super Maquiavel. É uma baita aula de sociologia e filosofia. Um filme completo, redondinho e adorável. Sinceramente, recomendaria o filme para todas as salas de aula. Imagina discutir esse filme com crianças e adolescentes? E em faculdades? Deixa eu sonhar.

Recomendo o filme pra ontem. Já assisti duas vezes no cinema (e provavelmente irei numa terceira em breve). Ah! Achei muito sensacional ver os nomes dos dubladores brasileiros de novo em destaque nos créditos. Valorizo!

A segunda temporada de Demolidor e Vikings

Teve maratona de Daredevil neste último fim de semana. Amei a primeira temporada e também esta segunda. Mantiveram o clima do vigilante noturno, os conflitos de personalidade do Murdock e também as lutas legais (o que foi o terceiro episódio?). Achei o arco do Justiceiro muito interessante, apesar de ter dormido bacana no episódio 10 ou 11. O personagem é um maluco psicopata, mas gostei dele ainda assim. Uma amiga sugeriu shippar ele com a Karen. Gostei. Quanto a Elektra… Bom, gostei dela no início. Lá pro final meu interesse por ela caiu, sei lá. Mas acho que o final da temporada em si ficou meio desinteressante. Na minha opinião, muita coisa ficou mal resolvida. E não me pareceu gancho pra próxima season. Enfim, ainda assim está no meu hall de séries favoritas.

daredevil-poster-costumes-850x560

Quanto a Vikings, comecei ontem e já estou in love. Na verdade foi um amor à segunda vista. Achei o primeiro episódio legal, mas o dois me pegou de jeito. Nem tem muita coisa pra comentar. Ainda assim fica aqui a recomendação. Tive a oportunidade de visitar um museu viking na Dinamarca. Percebi que tinha uma ideia bem errada deles. Considerava o povo bárbaro, mega violento e conquistadores sem pudor. Well… que povo não era assim antigamente, né? O que mais me impressionou, no entanto, foi o tamanho dos barcos deles. ERAM MUITO PEQUENOS. E ainda assim conquistaram o norte, chegaram no Reino Unido e até na Islândia. A séria mostra isso muito bem. Aprovada.

Produce 101

Mudando de Dinamarca pra Coreia do Sul, tenho acompanhado um reality show chamado Produce 101. A proposta: colocar cento e uma trainees de agências de entretenimento diferentes para competir entre si. No final, o público elegerá as 1 1 favoritas para debutar como um grupo temporário por um ano.

Se você não sabe, o K-POP é literalmente uma fábrica de artistas. Jovens que queiram entrar no mercado musical, prestam audições de companhias para, assim, serem treinados e, por fim, lançados na mídia. Assim, o Produce 101 seria a oportunidade perfeita para garotas que queiram sentir logo como é ser um ídolo de verdade.

É um jogos vorazes. No início da competição as meninas foram classificadas em A, B, C, D e F pelos treinadores. O resultado é o clipe a seguir (a ordem de aparição são os grupos classificatórios).

As missões foram aparecendo e várias meninas sendo eliminadas. Uma das minhas favoritas já rodou e nesta sexta sobrarão 22. Tô apreensiva. O tanto que já chorei nas eliminações… só piora. Ainda assim é um programa muito legal pra quem gosta de ver apresentações de dança, canto e rap. Caso se interessem, o perfil do twitter @teampd101 tem legendado todos os episódios em inglês.

Jeon Somi, Kim Sejeong, Kang Mina, Han Hyeri, Hwang Insun, Lee Haein, Kang Yebin, Cathy e sobrevivente da KCONIC, FIGHTING!!!!

Meghan Trainor says NO

Ainda falando sobre música, preciso falar de No da Meghan Trainor. Já estou sentindo falta das madeixas loiras e o som super retrô. Porém não tem como amar a vibe final dos anos 90/2000 dessa música. Parece Ciara, Britney na época de Oops I did it again ou os primeiros solos da Beyoncé. Pra dançar não tem ritmo melhor.

E aí tem a letra. Ah, mon amour! Se você não está afim de escutar a cantada do cara, seja clara. Mostre que só quer ficar na sua e deixe claro que não precisa disso pra levantar a auto-estima. Já virou meu hino na balada que eu quase nunca vou.

Baile de… J-pop

Para terminar. Esse vídeo! ESSE VÍDEO! Não tem o que dizer, só sentir.

“Frozen” e a evolução da princesa “disneyniana”

DisneyPrincess_Meet_Merida
Quem não as conhece?

As maiores atrações da Disney são suas princesas. Não tem jeito. E mesmo com o enorme sucesso, elas estavam meio que aposentadas desde 1994, quando “O Rei Leão” foi lançado. Não sou grande estudiosa, mas dois anos antes, “Aladdin” tinha sido o blockbuster da produtora. Apesar de a trama do ladrão e o gênio da lâmpada ter uma princesa, a Jasmine, a personagem principal da trama é o próprio Aladdin. Um homem. Daí, Simba. Então, em 1995, veio “Pocahontas”, que não é beeem uma história princesa. A partir daquele momento, deu-se uma sequência de filmes protagonizados por homens, mulheres guerreiras (Mulan, melhor heroína de todos os tempos exemplo) ou animais e objetos falantes.

Em 2007, aparecia o filme “Encantada”, com direito a números musicas de volta e amor entre estranhos do melhor jeito “A Branca de Neve”. Fazia mais de dez anos que uma princesa “disneyniana” não era lançada de fato. Gisele, no entanto, era interpretada pela atriz Amy Adams. Uma atriz, não uma animação. Resultado? Bons números de bilheteria, mas nada de milhares de bonecas sendo vendidas nas lojas do mundo afora. Após dois anos, Tiana dava as caras nos cinemas. Era mais uma tentativa de “resgaste das princesas”, com a novidade de ser a primeira integrante negra da espécie (Kida de “Atlantis” e Esmeralda de “O Corcunda de Notre Dame” não são consideradas, infelizmente). Apesar de amar de paixão “A Princesa e o Sapo”, Tiana parece, mas não é uma princesa clássica. Ela é forte, linda e tem um vestido típico da realeza. Virou sapo, enfrentou o vilão Facilier, casou-se com o príncipe Naveen e realizou seu sonho de ter seu próprio restaurante. Princesas podem ter seu próprio restaurante? Não sei e não importa. A Disney ainda não tinha logrado juntar a mulher contemporânea com os elementos que tanto fizeram sucesso no passado.

Foi aí que os produtores se arriscaram e trouxeram “Enrolados”, nome unissex para o conto dos Irmãos Grimm da Rapunzel. Era a primeira vez em um intervalo de quinze anos que uma princesa realmente liderava uma trama. Infelizmente o filme nem chegou a concorrer a um Oscar (só de música original com “I See The Light”), mas rendeu melhores frutos que os de Tiana e Gisele. Depois, temos a Merida de “Valente”, que de valente não tinha nada. Não gosto muito desse filme e acho que ele deveria se chamar “Mimada”. Porém, preciso destacar a quebra de paradigma de filmes de princesa: não há nenhum príncipe ou pretendente amoroso!

Eis que chegamos a Frozen.

Pôster brasileiro do filme
Pôster brasileiro do filme

“Frozen” é um sucesso. Além de estar há mais de um mês firme e forte no circuito dos cinemas brasileiros,  já  ultrapassou a bilheteria de “O Rei Leão” (olha ele aí de novo) ao redor do planeta e se tornou o segundo filme mais rentável da Disney com mais de 800 milhões de dólares arrecadados (apesar de alguns cálculos ainda o deixarem em terceiro). Isso sem contar as vendas de CDs, músicas online e brinquedos. “Frozen” é lucro.

Os fatores que levaram a esse posto são vários: selo Disney; promoção com Demi Lovato e cantoras famosas em outros países; Idina Menzel, a diva dos musicais na atualidade, emprestando a voz para uma das personagens; outros atores famosos também na produção; cópias do filme em 2D, 3D e 4D (eu vi em todas!); e, o mais importante, uma boa história.

Uma boa história. É sobre isso que quero falar, a maior razão de eu ter amado a produção toda. Fui surpreendida por algumas pequenas inovações no roteiro de uma típica história de princesa “disneyniana”. Detalhes que, na minha opinião fizeram muita diferença, se comparados a outros trabalhos da Disney:

1 – Anna e Elsa

Rainhas e princesas já apareceram algumas vezes em filmes da Disney. Mas “por uma vez na eternidade”, elas não são inimigas mortais. Muito pelo contrário, elas são irmãs que se amam de verdade. Outro mérito a ser destacado é a “audácia” de colocar as duas como protagonistas.

2 – O amor verdadeiro

Anna é criticada o filme inteiro por ter aceitado se casar com Hans no mesmo dia que o conheceu (IRONIA). Esse “amor verdadeiro” que ela tanto defendia, no final, se mostrou ser o que ela sentia pela sua irmã, alguém que ela conhecia desde que nasceu.

 3 – O lado “Mulan”

Tanto Anna quanto Elsa são um retrato da mulher que quero queremos ver atualmente. Elas estão no poder, protagonizaram uma história e ainda são bonitas. Não sabem lutar como a Mulan, mas uma tem poderes e a outra, força de vontade. Acho que está bom, não é?

4 – Vilão?

Onde está o vilão? Não existem vilões em Frozen. Existem pessoas com medo, gananciosas e solitárias, assim como qualquer pessoa deste mundo. Quem nunca sentiu medo? Quem nunca desejou ter mais do que tem? Quem nunca se sentiu só? Elsa passou por tudo isso e ainda superou as dificuldades no fim. Hans e o Duque da cidade impronunciável, por outro lado…

5 – Kristoff

O mocinho do filme pediu permissão para beijar a amada. Achei digno.

 6 – Um boneco de neve falante

Olaf é o alívio cômico do filme, mas tem background e objetivo claro. Ele é meio parecido com o Ray de “A Princesa e o Sapo”, só que muito mais fofo e inusitado. Cabe aqui um elogio à dublagem brasileira. Assisti às versões em inglês, português e espanhol. Nenhum Olaf foi tão engraçado quanto o nosso. As falas ficaram muito mais divertidas mesmo.

Como nem tudo é perfeito, Frozen tem defeitos sim. Por ser fã de carteirinha só consigo pensar em um (hahaha): a existência dos trolls. Não que eles precisem de uma explicação para existir, mas achei que a relação deles com o Kristoff foi meio que “forçada” demais. Gostaria de ver um curta parecido com o de “Enrolados”, só que enfocado neles. Fica a sugestão.

Caham.

E o futuro? Será que a Disney vai voltar aos tempos da era de ouro das princesas agora que tem mais do que certeza que elas continuam tendo apelo comercial? Só o tempo dirá. Porém, repito que gostei bastante dessas pequenas inovações na história. Já ouvi muitas amigas feministas criticando as Princesas Disney e concordo que, antes, elas eram umas tremendas de uma pamonhas que viviam em funções de seus príncipes. Os tempos mudaram e as princesas evoluíram, não concordam? Ou será tudo ilusão?