Coco, Indy e a pedra filosofal

As ideias iniciais desta nova postagem seriam: falar sobre livros que lerei em 2018 ou fazer comentários sobre as previsões da astrologia e do horóscopo chinês. Ainda não fiz essa lista de livros nem procurei as previsões. Então, vou improvisar um pouquinho, com o que já tenho e que estou vivendo.

Há alguns dias assisti ao filme “Viva: a vida é uma festa” (“Coco”, nome original). Se ainda não assistiu, simplesmente vá. Quando eu achei que nada barraria Moana, veio a história de Miguel para me encantar, me emocionar, me divertir e, é claro, me botar para pensar. Aliás, Pixar, obrigada.

Se você não sabe nada sobre do que se trata, segue o pôster e a sinopse:

-1514908230-coverMiguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos.

Não vou entrar em detalhes do enredo para não estragar a experiência de ninguém. Quero apenas discorrer sobre elementos e reflexões, que por um acaso não têm nada a ver com esse resumo aí em cima.

Primeiramente, “Coco” (vou usar o nome original só porque é menor mesmo) é um filme que fala sobre ancestralidade. Se você está familiarizado(a) com “Mulan” e a própria “Moana”, sabe do que estou falando. Quem foram os antes de nós sempre reflete no que somos e nos que virão. É a memória dos nossos antepassados que os permite viver dentro de nós. E também é a nossa própria memória que nos faz ser quem somos. “Lembro, logo existo”.

O segundo ponto que gostaria de destacar é que “Coco” é também sobre morte. Morte física, espiritual e simbólica. O que nos remete novamente à memória. Se a sua história não é conhecida por ninguém é como se você nunca tivesse passado por este planeta. E se ela era conhecida e acaba esquecida, você morre.

A memória é a pedra filosofal, a fonte da juventude. É ela que concebe a imortalidade tão almejada por vários homens e mulheres ao longo dos tempos.

O corpo morre. Ficam as memórias das nossas memórias.

Mas o corpo ainda morre. E para os parentes e pessoas próximas, ancestralidade e essa tal imortalidade não importam. A pessoa que eu amava se foi para sempre.

Será?

Nas tradições mexicanas, não. “El dia de los muertos” é sempre um reencontro. Apesar de o México ser o país mais católico do mundo, seu povo crê na memória e que uma vez por ano as almas se juntam aos vivos para celebrar… a vida! É como se a morte fosse apenas uma ilusão ou uma passagem para outra vida.

“Coco” me tocou muito. Até agora não consigo parar de pensar nesses pontos de reflexão. Principalmente porque meu cachorrinho Indy (Indiana Jones) está nos deixando aos poucos. Ele já tem quase 12 anos. Também tem uma doença cardíaca de três nomes que está fazendo com que ele pare no hospital veterinário de uma a duas vezes por semana. O que estamos tentando fazer agora é lhe dar qualidade de vida para que a partida dele seja a mais confortável possível.

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Indy dormindo enquanto escrevo este post

Indy está comigo e com a minha família há quase 12 anos. A memória dele vai viver com a gente para sempre (até que a nós sejamos esquecidos), não tenho dúvida.

Para finalizar esta postagem, deixo o trecho de uma canção que está no CD da trilha sonora em espanhol de “Coco”. Chama-se “El corrido de Miguel Rivera”. Não aconselho escutá-la se ainda não viu o filme; vários spoilers. Porém o fechamento é incrível e tem tudo a ver com os parágrafos anteriores a este (ancestralidade?).

Llévanos Miguel a esa dimensión

En dónde la muerte es sólo una ilusión

Aquí estás, y te he venido a encontrar

Aquí estás, sé que no existen las despedidas

Miguel volvió

Y descubrió

Que sólo muere

Lo que se olvida*

* Olvidar é esquecer em espanhol

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Leitura Compartilhada no Ponto Para Ler

“Olá, meu bom leitor”,

Venho aqui deixar os dois vídeos que o canal Ponto Para Ler fez do Parede Branca. A proposta é que as pessoas leiam e depois assistam, mas você tem direito de fazer o que bem quiser (se não se importar com spoilers nível médio).

 

Eu sou muito fã do Ponto, então fiquei felicíssima ao ver o Parede Branca por lá. A ideia do Leitura Compartilhada é super bacana, um pouco diferente do formato “normal de leitura conjunta” do Booktube. Aliás, o canal todo é fora da caixinha e mesmo que, às vezes, os livros comentados não façam o meu estilo, adoro conhecer coisas novas. Principalmente no ramo da Literatura, né?

Ah! Tem resenha escrita também! Não deixem de conferir. 😉